Apoie o DCM

‘Vou sair e estudar pra passar sem fraudar cotas’, diz aluno da UFMG

Do jornal O Tempo:

A exposição dos alunos brancos da UFMG que usaram o sistema de cotas pode servir para que mudanças ocorram na instituição a fim de evitar esse tipo de fraude. É o que também disse esperar o aluno Vinícius Loures, que tem sentido na pele (branca) as consequências de ter se autodeclarado negro. Ele conversou com a reportagem de O TEMPO sobre o caso. Leia a entrevista:

Por que você decidiu concorrer a uma vaga para cotista?

Não sei explicar, não parei para pensar na hora. A nota que eu tirei dava para ter passado (em medicina) em outras universidades (de outras cidades), por isso foi uma decisão tão equivocada, talvez um apego por Belo Horizonte, queria fazer o curso aqui. Reconheço que estou errado, e a maneira de consertar esse erro é saindo. Vou me “desmatricular” já, estudar e tentar passar de novo, sem fraudar o sistema, que é legítimo. Apesar de ter feito isso, eu não concordo com fraudes nas cotas, nem acho que as cotas não sejam importantes.

(…)

O que você espera que ocorra agora?

Estou com 23 anos, eu não sei o que eu quero da vida mesmo. Mas vou sair e torcer para que a minha vaga vá para uma pessoa negra. É visível que a esmagadora maioria (na universidade) é branca. Espero que (as denúncias) sejam um marco na história da UFMG. Acho difícil que alguém faça isso (fraudar o sistema) de novo. Tomara que mude o sistema, não seja só autodeclaração, que vai para o lado ético.