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“Vou te estuprar”, repórter fala das ameaças que sofreu no jornalismo esportivo

Do UOL:

Em seis meses como repórter da ESPN, Bibiana Bolson se deparou com um sucesso estrondoso ao cobrir o dia-a-dia do futebol brasileiro. A jornalista gaúcha recebeu o carinho de muitos fãs do maior esporte do Brasil, mas, por outro lado, já foi alvo de fortes ameaças e agressões de torcidas, potencializados pelo simples fato de ela ser mulher.

“Já fui cuspida no estádio, já recebi ameaças de ser abusada: ‘Vou te estuprar’. Muitas ameaças”, contou Bibiana em entrevista ao UOL Esporte.

Com passagens por SporTV e Esporte Interativo, Bibiana viu uma nova chance no jornalismo esportivo ao cobrir o período de licença maternidade da colega Débora Gares até setembro deste ano. Segundo a jornalista, a condição de ser uma repórter mulher em um meio considerado masculino implica em xingamentos até mais pesados do que com os colegas homens, que também sofrem.

“A gente fica mais exposta. Talvez as ofensas que meus colegas jornalistas homens recebam não sejam tão fortes, porque às vezes um homem lê um tipo de xingamento e não se sente tão agredido. Mas quando uma mulher é chamada de piranha, puta, é mais agressivo, porque a violência não precisa ser apenas física, ela pode ser simbólica também”, explicou.

Hoje, a jornalista lida muito melhor com esses tipos de situações e exaltou a importância de não se calar.

“As ofensas são uma forma de violência. Eu já recebi muita ameaça nas redes sociais, e no começo eu ficava muito incomodada e não falava nada. Depois eu vi que precisava expor aquilo. Escrevi uma carta aberta nas redes sociais de um cara que falou: ‘Ah, você nem sabe de nada. Vai só para aparecer no jogo. Não entende de nada’. Hoje eu lido muito melhor com elas. Eu sei que eu tenho para onde correr, denunciar esses crimes”, disse Bibiana, que também falou sobre o período de estudos nos Estados Unidos, o sucesso como repórter na ESPN e o futuro.