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WhatsApp errado revela racha entre desembargadores em disputa no TJ-SP

Prédio do TJ-SP (Tribunal da Justiça de São Paulo), na praça da Sé, em São Paulo (SP) Imagem: Avener Prado/Folhapress

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) vive um constrangimento após o desembargador Luís Fernando Nishi enviar, por engano, uma mensagem de WhatsApp ao colega Renato Denisano. No texto, Nishi afirmava não confiar em Denisano e sugeria que ele estaria alinhado a outros candidatos na disputa pelo quinto constitucional da advocacia. A mensagem deveria ser destinada à advogada Renata Marques Ferreira, sua candidata, mas acabou indo para o próprio magistrado criticado.

A troca ocorreu em 28 de agosto, em meio às articulações para a formação da lista tríplice a ser enviada ao governador de São Paulo. Denisano, ao perceber a crítica direta, respondeu apenas: “Que feio, Nishi”. O episódio rapidamente circulou nos bastidores, gerando mal-estar entre os membros do Órgão Especial, colegiado formado por 25 desembargadores responsável pela escolha dos nomes.

Nishi afirmou ao UOL que a mensagem tinha “índole pessoal” e não deveria ter repercussão institucional. Denisano, por sua vez, disse tratar-se de “questão pessoal” sem impacto na votação. Apesar das tentativas de minimizar o incidente, o episódio revelou tensões internas no chamado “grupo de 82”, formado por magistrados que se formaram juntos na USP e costumam se reunir mensalmente.

O vazamento ocorre em um momento delicado, já que o TJ-SP se prepara para eleições de sua cúpula no fim do ano. O corregedor Francisco Loureiro é apontado como favorito para a presidência, enquanto a desembargadora Silvia Rocha deve concorrer à corregedoria. O episódio reforçou a percepção de que as divisões internas podem influenciar a disputa e enfraquecer a imagem de coesão do tribunal.