Workslop: quando a IA parece ajudar, mas cria mais trabalho

A rápida adoção da inteligência artificial nas empresas criou o chamado workslop, termo em inglês para conteúdos superficiais e pouco úteis gerados por essas ferramentas. Relatórios e apresentações podem ter aparência profissional, mas trazer conclusões genéricas, falta de contexto e erros que obrigam colegas a revisar ou refazer o material. Levantamento da BetterUp Labs com a Stanford Social Media Lab aponta que 40% dos trabalhadores já receberam esse tipo de conteúdo.
Cada ocorrência de workslop consome, em média, 1 hora e 56 minutos de quem precisa corrigir a tarefa, calcula a BetterUp Labs. O custo mensal estimado é de US$ 186 por funcionário afetado e pode superar US$ 9 milhões anuais em uma organização com 10 mil pessoas. Além do prejuízo de produtividade, 53% dos entrevistados relataram irritação diante desses episódios, enquanto 38% disseram sentir confusão ou desrespeito.
Especialistas defendem que a IA sirva como apoio, e não substitua a análise humana. Miguel Nicolelis alerta para o risco de delegar de forma sistemática atividades que exigem reflexão e aprendizado, enquanto a pesquisadora Luciana Morilas, da USP, destaca a importância de interpretação, contextualização e pensamento crítico. Empresas têm criado regras de segurança, treinamento e revisão para evitar que respostas prontas da IA circulem sem checagem, inclusive em tarefas que envolvem dados sensíveis.
