Xenofobia e novas regras: as barreiras da extrema-direita para brasileiros em Portugal

Nos últimos anos, milhares de brasileiros migraram para Portugal atraídos por salários em euro, mas o cenário começou a mudar com o endurecimento das regras de imigração, que passaram a vigorar em 19 de maio de 2026, complicando até a situação de quem já estava legalizado no país. Muitas pessoas que planejavam se mudar agora reavaliam as decisões.
Casos de xenofobia têm se intensificado, tornando a vida difícil para imigrantes. Nivia Estevam, 28 anos, voltou ao Brasil após o filho sofrer bullying na escola que resultou na amputação de dois dedos: “O sonho acabou quando percebi que ali não podíamos ser nós mesmos”, disse à revista Veja.
Pesquisas apontam que o descontentamento local aumenta com o crescimento do preço dos imóveis e sobrecarga nos serviços públicos. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), 54% dos brasileiros já relataram ter sofrido algum tipo de discriminação no país.
A assistente social Juliana Oliveira, 30 anos, voltou a São Paulo após quatro anos de mestrado e trabalho em Lisboa: “Eu era tratada como cidadã de terceira, quarta classe”, disse. O conjunto de normas mais rígidas decorre de um cenário político influenciado pela extrema-direita, representada pelo partido Chega, e pelo governo de centro-direita de Luís Montenegro. A nova Lei da Nacionalidade tornou mais difícil a obtenção de cidadania, elevando de cinco para sete anos o tempo necessário de residência e alterando regras para filhos de estrangeiros nascidos no país.
