Xenofobia linguística: a violência contra alunos brasileiros em Portugal

A mutilação dos dedos do menino José Lucas, de 10 anos, em uma escola próxima a Viseu, revelou um cenário de agressões recorrentes contra estudantes brasileiros em Portugal. Segundo a mãe, Nívia Estevam, o ataque foi motivado pelo sotaque do filho e aceito de forma silenciosa pelo corpo docente. O caso reacendeu denúncias sobre xenofobia linguística numa rede escolar em que brasileiros são hoje a maior comunidade estrangeira, com 88 mil alunos matriculados, segundo a DGEEC. Com informações do Globo.
Há quatro anos, após episódios semelhantes, o então secretário de Estado da Educação, João Costa, havia anunciado uma formação para docentes sobre a diversidade da língua portuguesa. Ele afirma ter deixado o projeto encaminhado, mas não sabe se houve continuidade.
A ausência de políticas de inclusão coincide com o aumento expressivo de estudantes brasileiros, enquanto relatos de violência física e humilhações por sotaque se multiplicam em escolas de diferentes regiões do país.Outros episódios relatados envolvem agressões severas, como a tentativa de cortar a barriga de uma criança de 6 anos por não pronunciar “cenoura” com sotaque português, casos tratados como “brincadeira” por escolas, segundo os familiares.
A adolescente Jenifer Lima, espancada em Santarém, relata ter sido alvo constante de deboche por sua forma de falar, e sua mãe descreve uma investigação que não avançou. Especialistas, como a psicóloga Rute Agulhas, apontam que práticas de discriminação começam entre professores, passam para alunos e se reproduzem nas famílias.
