Zé Celso, do Oficina, critica João Doria: ‘Fez jogo dúbio comigo’

Da Veja:
Doria se ofereceu para mediar o conflito entre o Oficina e Silvio Santos e, em um encontro realizado em agosto na sede do SBT, propôs o que entende como uma solução intermediária, a construção de um “mall cultural”, com unidades residenciais e comerciais, no local. “Na América, tem muito”, disse na ocasião. A proposta voltou a ser ouvida por Zé Celso na reunião anulada pela Justiça na segunda-feira passada, e da boca do presidente do órgão, o engenheiro Cyro Laurenza. Ele também teria sugerido a Zé Celso que se mudasse para um outro terreno, abrindo mão do projeto de Lina Bo Bardi – essa mesma sugestão foi dada, na reunião no SBT, por Guilherme Stoliar, sobrinho e braço direito de Silvio Santos.
“O presidente do Conpresp se portou como corretor do Silvio Santos”, diz Zé Celso, que afirma ter perdido a confiança no prefeito paulistano depois de segunda-feira. “Doria jogou um jogo dúbio comigo. Foi muito gentil na reunião de agosto, muito bem, mas é ele o responsável pelo que está acontecendo com o patrimônio público da cidade de São Paulo. Estão entregando tudo à especulação imobiliária.”
Para o diretor, tanto Doria quando Geraldo Alckmin, governador paulista que é pré-candidato à Presidência da República, estão “sacrificando o patrimônio da cidade” em troca de apoio na campanha eleitoral de 2018. “Isso para mim surgiu com clareza absoluta, estão agindo em função do eleitorado deles”, diz. “Por interesse eleitoreiro, estão entregando o bairro do Bexiga, o Oficina e o TBC. Precisam dos empresários apoiando as suas candidaturas.”
Segundo Zé Celso, a mudança na composição dos conselheiros do Conpresp, na atual gestão, converteu o conselho de defesa do patrimônio em “conselho da especulação imobiliária”.
“A política não é um negócio. É negociação, entre um lado e outro. Nem os militares ousaram assim contra a cultura.”
