Médico cai do 7º andar após tomar zolpidem, perde perna e fica cego

O médico Vitor Piva, de 34 anos, caiu da sacada do sétimo andar de seu apartamento em São Paulo após tomar vários comprimidos de zolpidem para dormir, em junho de 2022. Ele acordou dias depois na UTI do Hospital das Clínicas, passou por cerca de 20 cirurgias, teve a perna direita amputada e não recuperou a visão.
A Polícia Civil arquivou a investigação três meses depois e descartou tentativa de suicídio ou crime. O inquérito relacionou a queda aos possíveis efeitos do medicamento, como alucinações e parassonias, incluindo sonambulismo. Piva estima que tomou quatro comprimidos, embora a dose máxima diária recomendada seja de 10 mg, equivalente a um comprimido.
A Anvisa tornou a venda do zolpidem mais restrita em agosto de 2024: o medicamento passou a exigir receita azul e prescrição presencial. A agência registrou 23,3 milhões de caixas vendidas em 2020, no início da pandemia. Especialistas alertam que o uso sem acompanhamento ou por períodos prolongados eleva o risco de dependência, abstinência, amnésia, delírios e sonambulismo, sobretudo quando há associação com álcool ou outros remédios sedativos.
