
Em editorial publicado nesta sexta-feira (30), o Estadão detonou a carta golpista do senador fugitivo Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se autoproclamou “verdadeiro presidente eleito”, e já iniciou uma campanha para eleger Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, para a Presidência em 2030, sob o título de “Um golpista em Miami, um democrata em SP”.
O jornal confirmou que a “fraude” denunciada por Flávio não resiste às evidências: Lula venceu por 4,4 milhões de votos. O editorial já trata Tarcísio, que reconheceu a derrota, como uma oposição democrática e propositiva, pelo único mérito de não distorcer a realidade, ignorando que o governador de São Paulo esteve ao lado da família Bolsonaro em todas as articulações políticas e golpistas. Leia trechos do editorial do Estadão:
Em Miami, para onde fugiu depois de descumprir uma ordem judicial para entregar seus passaportes, logo após a derrota na eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou uma carta golpista na qual se autoproclamou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito em primeiro turno, disse em entrevista ao Estadão que “a eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente”.
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A carta de Flávio não merece a tinta deste jornal, mas não há como ignorar o vexame. […] Minutos depois, corrigido o brasão da República às pressas, Flávio tratou de se rebaixar a “líder do Brasil”. Ou seja, nem em texto o primogênito de Jair Bolsonaro consegue usurpar o poder sem tropeçar nas próprias pernas.
A “fraude” eleitoral que Flávio denuncia simplesmente não resiste às evidências. Lula foi reeleito por uma margem de 4,4 milhões de votos sobre o adversário, número incontestável. […] Mas o episódio não deixa de dar uma lição: se até o dito “Bolsonaro moderado” se revelou um golpista de marca maior, não há o menor cabimento em conceder indulto, anistia ou perdão aos condenados pelo ataque à democracia brasileira, a começar por Jair Bolsonaro.
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Tarcísio só não foi candidato porque o ex-presidente impôs o nome de seu primogênito para subjugar a direita em nome dos interesses da família e ser indultado por Flávio em caso de vitória. Bolsonaro errou tudo. Perdeu a eleição, perdeu o controle da direita, causou ao País o prejuízo de ter de enfrentar mais quatro anos de governo petista e ainda passará muito tempo preso.
Já a entrevista do governador paulista ao Estadão aponta para a direção diametralmente oposta à da carta de Flávio.
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É tudo de que o Brasil precisa. Pode parecer óbvio, mas, depois de anos de golpismo bolsonarista, é um alento ouvir um líder da direita dizer que o resultado das urnas tem de ser respeitado e que há formas de se construir uma alternativa política viável ao lulopetismo. Tarcísio não se limitou a reconhecer a derrota eleitoral de seu campo: indicou o que pretende fazer com o capital político que as urnas de São Paulo lhe deram. É exatamente essa a oposição que queremos.
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Se serviu para alguma coisa, a estultice de Flávio libertou a direita democrática de uma família de golpistas, que por tempo demasiadamente longo a manteve refém de seus desatinos e de seu irremediável desdém pelo Brasil.
EDITORIAL | Um golpista em Miami, um democrata em SP – “Tarcísio é a projeção de futuro de uma oposição firme, propositiva e democrática ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. Texto completo em https://t.co/AXYkzLGguy https://t.co/oYlpmDjaOK
— Estadão 🗞️ (@Estadao) October 30, 2026