
Esta é a manchete do Estadão, na tentativa de livrar a barra de Roberto Campos Neto:
“Documento mostra que Master recebeu ultimato de BC de Campos Neto um ano antes de ser liquidado”.
Logo abaixo, o jornal informa: “Ofício revela que, em 7 de novembro de 2024, Vorcaro se comprometeu a tomar medidas para melhorar a saúde financeira do banco em até 180 dias; procurado, banqueiro diz que vinha cumprindo acordo”.
Agora, o que o Estadão não vai destacar nunca. Campos Neto teria dado o ‘ultimato’ em 7 de novembro e deixou o Banco Central em 31 de dezembro.
Deu um ‘ultimato’ menos de dois meses antes de ir embora e deixar o abacaxi para Gabriel Galípolo. Assim fica fácil dar ultimatos
Hamilton Mourão fez algo parecido como presidente do Conselho Nacional da Amazônia. Duas semanas antes de deixar o cargo, divulgou um documento com um alerta e um plano de defesa da floresta.

Mourão defendia o enfrentamento da grilagem e do desmatamento, sem nenhuma referência aos garimpeiros e à bandidagem que os seus militares não conseguiram identificar.
Repete-se agora o mesmo truque, com o caso do Banco Master, mas o Estadão não consegue segurar no texto a manchete sobre o ultimato. Não há ultimato algum. A manchete é esquentada.
O jornal escreve: “Como mostrou o Estadão, Campos Neto sabia dos problemas do Master e evitou intervir no banco, mas deu um prazo para a instituição melhorar seus indicadores, práticas de governança e gestão de risco. A medida foi adotada na reta final de sua gestão, que terminou em 31 de dezembro de 2024”.
Quem encontrar, na reportagem do Estadão, o ultimato dado por Campos Neto, que torne público o documento oficial com as advertências do então presidente do BC. Porque o jornal não publica uma linha sequer de qualquer comunicado que segure sua manchete.
O texto tem o tom de release, como mais uma tentativa de Campos
Neto de se livrar da acusação de que largou o caso Master no colo do seu sucessor, para que Galípolo ficasse com os custos da liquidação.