
O Estadão demitiu quase dez jornalistas, segundo nota divulgada nesta quarta-feira (28) pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). O sindicato informou que enviou um ofício à direção do jornal para pedir uma reunião urgente e propor a reversão dos desligamentos.
As entidades acusam a empresa de realizar os cortes em “conta-gotas” para descaracterizar uma demissão em massa. Para o SJSP e a Fenaj, a sequência de dispensas configura um desligamento coletivo e desrespeita o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a participação sindical prévia.
No julgamento do Tema 638, o Supremo estabeleceu que a intervenção do sindicato é uma exigência para a dispensa em massa de trabalhadores. Essa participação não se confunde com autorização da entidade nem depende da conclusão de uma convenção ou de um acordo coletivo.
Segundo a nota, as demissões no Estadão começaram no período imediatamente anterior ao segundo turno da eleição presidencial, quando os profissionais enfrentavam maior sobrecarga de trabalho. Alguns dos dispensados estavam na empresa havia décadas. As entidades relatam um clima de apreensão na redação.
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Os trabalhadores procurados pelo sindicato disseram ter sido surpreendidos pelos desligamentos. De acordo com os relatos reunidos pelo SJSP, representantes da empresa alegaram dificuldades financeiras, necessidade de reduzir o tamanho da operação e reestruturação interna para justificar as dispensas.
Além da reversão dos cortes, o sindicato quer abrir negociações para preservar os empregos e impedir novas demissões. A entidade afirma que oferece apoio jurídico aos dispensados e pede que os profissionais comuniquem novos desligamentos e denunciem situações de assédio pelo canal sindical.