
Essa manchete do Estadão não seria publicada, com essa formulação, nos bons tempos do jornalismo que não esperava releases com as informações oficiais de governos. Essa é a manchete:
“O que falta Prefeitura, Polícia Militar e organizadores explicarem sobre caos no pré-carnaval de São Paulo”
Imaginem se, depois da confusão no carnaval de rua da cidade, os leitores querem ler explicações. O leitor quer jornalismo.
O Estadão deveria fazer o que é o mais elementar nessas situações. Montar uma equipe que explicasse o caos, a partir da apuração dos seus repórteres, e não da versão oficial das otoridades.
As otoridades podem e devem dizer como as ruas de São Paulo viraram uma confusão nunca vista no carnaval em lugar algum. Mas não é isso que o leitor espera.

O leitor está esperando que o jornalismo remexa nas incompetências oficiais. E não que fique cobrando explicações, geralmente diversionistas.
O que aconteceu em São Paulo, com gente sendo pisoteada, foi a prova de que a extrema direita não consegue gerir nem mesmo o carnaval de rua. Mas ninguém, além do Estadão, quer ouvir explicações.