Estilista viraliza após lançar roupa realista que imita pele humana

Atualizado em 22 de março de 2026 às 16:42
Roupa feita de pele humana feita pela estilista Ludmila Obrigon. Foto: Divulgação

Uma peça de roupa que parece feita de pele humana, com textura, cicatrizes e tatuagens, chamou atenção nas redes sociais e ultrapassou 20 milhões de visualizações. O vídeo mostra a peça embalada em uma marmita de alumínio, como se fosse comida.

A criação é da estilista paulistana Ludmila Obrigon, que desenvolveu o conceito ainda na faculdade como Trabalho de Conclusão de Curso e transformou a ideia em uma marca autoral. A proposta da estilista é provocar reação do público ao explorar o que considera o “estranho familiar”, conceito inspirado no termo alemão “Unheimlich”.

“Gosto de pegar um elemento extremamente comum, como nosso corpo ou pele, e tirar de contexto, colocar em lugar em que ele ‘não deveria estar’, como a vestimenta. É algo simples que causa uma comoção gigante entre o público, que cria muitas teorias mirabolantes em cima”, explicou.

A marca nasceu durante o período universitário, quando a designer decidiu levar adiante um projeto chamado inicialmente de Provoke.

“No final do ano de conclusão, um colega que se encantou pelo meu trabalho me questionou: ‘O que vai ser da Provoke agora?’. Foi com essa pergunta que eu comecei a tirar do papel o sonho de ter uma marca”, contou ela em entrevista ao G1.

Durante a pandemia, em 2020, o projeto passou a se chamar Obrigon e começou a ser desenvolvido de forma experimental. As criações têm influências da cultura pop, do rock alternativo e do cinema de terror, além de referências na moda conceitual.

A estilista Ludmila Obrigon. Foto: Reprodução

A estilista cita inspirações como Lady Gaga, Alexander McQueen e Rei Kawakubo, além de diretores como David Cronenberg e Gaspar Noé. Segundo ela, a intenção é questionar padrões estéticos e provocar desconforto para estimular reflexão sobre o que é considerado belo.

O processo de produção das peças é totalmente artesanal e feito em pequena escala. As roupas que simulam pele humana são criadas com látex, pintado manualmente e montado em várias etapas. “Preparo pedaço por pedaço de látex, pinto cada um deles, para só depois juntar na modelagem final e desenhar em cima. São dias de processo, como uma obra de arte mesmo”, afirmou.

Entre as criações que mais repercutiram está a Bolsa Pectus, que reproduz a forma de um busto humano, além de looks usados por artistas e performers. Peças da marca já foram utilizadas por nomes como Anitta, Ludmilla e Luísa Sonza, e também por músicos da cena alternativa. A estilista afirma que o objetivo é alcançar projeção internacional.

A cidade de São Paulo aparece como uma das principais inspirações do trabalho. Segundo a estilista, o ambiente urbano, com mistura de estilos e referências, contribuiu para a identidade visual da marca. Ela afirma que a diversidade cultural da capital paulista ajudou a encontrar público interessado em propostas mais experimentais.

Com a repercussão do vídeo viral, a estilista pretende ampliar a presença fora do Brasil e facilitar vendas internacionais. Apesar do crescimento, ela diz que pretende manter o caráter autoral das peças. “Com certeza sonho em vestir a Lady Gaga, em quase todo post da Obrigon alguém comenta sobre isso.”, declarou.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.