“Estou presa porque nasci mulher, preta e pobre”, diz militante sem teto

Preta Ferreira, que apresenta o Boletim Lula Livre

PUBLICADO NO REDE BRASIL ATUAL

A ativista da luta por moradia Preta Ferreira, presa no dia 24 de junho, concedeu nesta terça (23) entrevista  para a Rádio Brasil Atual, que vai exibir sua íntegra vai ao ar amanhã (25), no Jornal Brasil Atual, a partir das 7h. Preta está detida na Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital paulista, sob acusação de extorsão, num processo que acusa o Movimento Sem Teto do Centro (MSTC)  de cobrar taxas de moradores de ocupações. Taxas, como explica Preta, acordadas em assembleias e legais, registradas em cartório e com recibo.

Preta denuncia, porém, que as razões para a sua prisão são outras. “Estou presa porque nasci mulher, preta e pobre em um país aonde quem manda são homens brancos, machistas e racistas. Estou presa porque briguei por meus direitos constitucionais. Quem deveria estar preso é quem não cumpriu com os deveres, porque moradia é um direito. Nasci nesta república, tenho direito”, disse a ativista, reafirmando sua prisão política, parte de um movimento de criminalização dos movimentos sociais. Ela foi presa junto de sua mãe, uma das lideranças do MSTC, Carmen Silva, e de seu irmão, Sidney Ferreira.

Na entrevista, Preta afirma também ocupar imóveis para se ter moradia é um ato extremo de que ninguém gosta, muito menos os ocupantes. “Ninguém ocupa porque quer. Quem ocupa não tem culpa. Ocupa para sobreviver, para não morrer. Ao invés de criminalizar movimentos de moradia, trabalhe com eles. Aprenda como se faz gestão pública para pobre, para morador de baixa renda. Ao invés de criminalizar, busquem, vão saber.”

O contexto político de ascensão da extrema-direita tem relação direta com sua prisão, argumenta Preta. Ela vê, em sua situação, similaridades com a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em 7 de abril do ano passado, após processo criticado da Operação Lava Jato. “Lula foi uma pessoa que deu oportunidade. ouviu tanto movimentos sociais quanto os mais pobres. Eu sei o que ele está passando e eu sei o que ele está passando. Sabemos porque estamos presos. Esta é a ditadura de 2019.”

 

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