“Estou torcendo pelo Trump”: Bolsonaro escolheu morrer abraçado àquele a quem disse amar

Bolsonaro, na tarde em que se declarou a Trump: “I love you”

A derrota de Trump é uma boa notícia para os brasileiros que amam a democracia e quase já não conseguem respirar com a falta de decência política de Jair Bolsonaro.

Com a eleição de Joe Biden, se Bolsonaro tivesse preocupação com o destino do Brasil, ele trocaria de imediato Ricardo Salles e Ernesto Araújo, responsáveis pelo Meio Ambiente e Relações Exteriores.

Mas dificilmente tomará essa decisão, a menos que seja muito pressionado, como no caso daquele secretário da Cultura que fez propaganda nazista.

Hoje mesmo, Bolsonaro deu declaração ambígua sobre como vê a eleição nos Estados Unidos.

Como um homem desamparado, usou o nome de Deus para definir como vê a derrota do líder, a quem disse amar num encontro que tiveram na assembleia geral das Nações Unidas do ano passado.

“Trump não é a pessoa mais importante do mundo”, afirmou, para logo em seguida dizer quem seria a pessoa mais importante: “Deus”.

Ou seja, Trump só não é a pessoa mais importante porque acima dele há Deus.

Não é exagero dizer que se trata de um babaca.

Parece uma adolescente desesperada que, vendo a derrota do homem que a despreza, diz que não sofrerá tanto assim, já que “Deus é maior”.

Portanto, se Bolsonaro dá indicações de permanecerá inerte, cabe às forças políticas de oposição se mobilizarem para mudar os rumos do governo no Brasil.

Em outras palavras, acelerar o fim da era Bolsonaro.

O governador do Maranhão, Flávio Dino, se manifestou nesse sentido.

“Campo mais progressista do Partido Democrata executou tática de frente ampla ao fazer campanha para Biden. Viram o tamanho do perigo que Trump representa e avaliaram a sua enorme força. Lições para interpretação da realidade brasileira e para definições sobre como transformá-la”, afirmou.

Dino é sempre o primeiro da fila quando há iniciativa de criação de movimentos de unidade contra Bolsonaro, mesmo quando esses movimentos têm adesão até de golpistas notórios como Michel Temer ou Fernando Henrique Cardoso.

É uma tática.

Nos Estados Unidos, Bernie Sanders, inegavelmente de esquerda, participou ativamente da campanha de Biden, mesmo sabendo que os dois têm visões opostas em muitos aspectos da política.

Dilma Rousseff, em 2015, visitou os EUA e se encontrou com Biden no Departamento de Estado norte-americano.

“Para mim, é uma imensa alegria estar sendo recebida aqui no Departamento de Estado pelo vice-presidente Joe Biden. O vice-presidente Joe Biden tem me honrado com sua amizade, tem me honrado com seus telefonemas”, afirmou.

“As diversas demonstrações de interesse e de amizade que ele externou pelo meu pais fizeram do senhor, vice-presidente, um amigo muito especial”, acrescentou.

Dilma disse ainda que Biden foi o responsável para que a visita se tornasse possível.

Ainda no primeiro mandato, Dilma cancelou uma visita aos Estados Unidos depois que se tornou público que a Agência de Segurança Nacional (NSA) havia monitorado suas comunicações.

Pela manifestou que fez, não guardou rancor. Ou colocou acima de seus sentimentos pessoais o interesse do Brasil.

Seja como for, é uma grandeza que Bolsonaro jamais terá.

Por razões que ainda se desconhecem — não é crível imaginar que se tratar de amor real, talvez homoafetivo —, Bolsonaro escolheu morrer politicamente abraçado a Trump.

Os brasileiros decentes precisam enterrá-lo antes que o cadáver exale mau cheiro ainda maior.

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Veja vídeos em que Bolsonaro declara, pateticamente, seu apoio a Trump:

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