
A estratégia digital criada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para mobilizar apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no WhatsApp passou a inspirar grupos de esquerda na França, na Espanha e na Argentina. O modelo ganhou força a partir do “Exército de Lula”, comunidade que reúne mais de 10 milhões de membros.
O grupo teve atuação no segundo turno da eleição presidencial de 2022, vencida por Lula. Seus integrantes recebem orientações para compartilhar conteúdos, convidar novos participantes e ampliar a circulação de publicações em redes sociais.
Na França, simpatizantes do França Insubmissa criaram inicialmente o grupo não oficial “Les Soldats Insoumis”, ou Soldados Insubmissos. A repercussão da iniciativa levou o partido de Jean-Luc Mélenchon a lançar o canal oficial “L’équipe de Mélenchon officielle”.
O canal francês também distribui “missões” aos participantes. Entre as tarefas estão convidar pessoas para o grupo e bloquear perfis de adversários políticos nas redes sociais, numa tentativa de reduzir o alcance dessas contas.

Grupos organizam ações para França, Espanha e Argentina
Mensagens do grupo francês circulam em francês e português, com referências diretas ao método usado por Janones no Brasil. A movimentação ocorre antes da eleição presidencial francesa, prevista para abril e maio de 2027, quando Marine Le Pen, líder da extrema direita, aparece à frente nas pesquisas.
Na Espanha, apoiadores do primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol, criaram o grupo “La fuerza de la gente”, ou A força das pessoas. Os participantes compartilham vídeos, imagens de discursos e declarações do chefe de governo para ampliar sua circulação nas plataformas.
Parte das publicações espanholas traz imagens de Lula e listas com as “6 regras da estratégia digital de Janones”. Sánchez governa o país desde junho de 2018 e disputará as eleições gerais de 29 de novembro de 2026, que convocou para tentar permanecer no cargo.
Na Argentina, o “Ejército del Peronismo” reúne apoiadores da ala jovem e mais à esquerda do peronismo, principal força de oposição ao governo de Javier Milei. O grupo divulga vídeos e mensagens sobre a vitória de Lula e orienta integrantes a convidar novos membros e espalhar conteúdos nas redes; a próxima eleição presidencial argentina ocorrerá no fim de 2027.