Estreia no Diário uma coluna verde

Juntamos nossos esforços aos daqueles que lutam pelo futuro do planeta.

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O Diário estreia, orgulhosamente, uma coluna verde. Ou sustentável, se você preferir. No comando dela está Alessandra Vidotti. Alessandra vive hoje em Barcelona, onde faz mestrado sobre gestão cultural, especializando-se em sustentabilidade e sua relação com a cultura e as artes.

Falar em verde é importante, claro.

O termo “verde” é resultado indireto do movimento ambientalista surgido nos anos 70, a partir de quando os cientistas começam a entender melhor as probabilidades de mudanças drásticas no planeta devido ao aquecimento global.

Na década seguinte, um relatório da União Internacional pela Conservação da Natureza traria pela primeira vez a expressão desenvolvimento sustentável, inicialmente com caráter estritamente ecológico. Depois,  acabaria sendo criada uma ponte entre meio-ambiente, economia e sociedade.

O relatório que sintetizou essa reunião se chama Nosso Futuro Comum, e nele o desenvolvimento sustentável está definido como um desenvolvimento que responde às necessidades do presente sem, no entanto, comprometer a habilidade das gerações futuras de responderem às suas próprias necessidades. A partir de então, muito se debateu em todo o mundo sobre o assunto, ao mesmo tempo em que as preocupações com as mudanças climáticas e o aquecimento global iam aumentando e os dados iam se mostrando mais alarmantes.

Não vamos falar sobre esses dados neste momento, mas sobre tudo o que tenta abarcar a sustentabilidade hoje em dia. Todas essas discussões geradas em torno ao tema fizeram chegar a um modelo de sustentabilidade (já não estamos mais falando em desenvolvimento sustentável!) que leva em conta um novo pilar além dos três já citados: meio ambiente, economia e sociedade. Ainda não são todos os países, ou cidades, do mundo os que o consideram.

O quarto pilar é cultural. Isso significa que para conseguirmos realmente nos tornar sustentáveis, de maneira geral, e proteger o planeta para que as futuras gerações possam gozar dos seus benefícios assim como nós estamos gozando agora, não adianta apenas falar em proteger os ecossistemas ou diminuir as emissões de carbono.

Isso funcionaria se todos fôssemos seres evoluídos que, sabendo a solução para um problema, imediatamente transformaríamos toda a nossa maneira de ser e de viver, para o bem do planeta.

Mas sabemos que isso não é assim, e que não é tão simples transformar todo um sistema que foi sendo construído ao longo de todo o século passado e que hoje se realiza através de uma sociedade de consumo que não deseja abrir mão dos seus benefícios.

Por outro lado, apesar de todos os avanços, existe ainda uma maioria de seres humanos planetários que simplesmente não tem acesso a esses benefícios, e seria eticamente correto poder corrigir essa situação e dar um futuro digno a essa gente, o que significa erradicar a pobreza e diminuir a iniquidade.

É preciso considerar também que a globalização nos ensinou que estamos todos no mesmo barco, e que um “probleminha econômico” na Europa ou nos Estados Unidos afeta o Brasil ou qualquer outro país.

A mesma globalização e o desenvolvimento tecnológico hoje nos permitem deslocamentos fáceis e ágeis, e a comunicação absoluta, inclusive com tribos indígenas ou africanas.

Já não existe isolamento. E isso faz com que as pessoas se desloquem e se mesclem, e as fronteiras territoriais já não representam culturas exclusivas. Não faz mais sentido falar em identidade; em seu lugar, é preciso ter presente o valor da diversidade.

Todos esses temas percorrem o vasto território da sustentabilidade, que por ser tão vasto, é mal compreendido.

sustainable_transportA sustentabilidade hoje tem como foco principal o bem estar de cada ser humano, nas suas relações uns com os outros, com o sistema econômico, com o meio-ambiente, e está nas necessidades sociais e culturais de cada um. Reduzir carbono contribui para atingir a sustentabilidade, mas se não houver uma mudança de mentalidade e de atitudes com relação a esse nosso futuro comum, que não é só meio-ambiental, mas é também cultural e social e econômico, a sustentabilidade será só mais um conceito.

Por isso, ela precisa ser incorporada com urgência nas políticas públicas em nível nacional, regional e principalmente local, que é onde se pode transformar conceito em prática.

Os países nórdicos e o Canadá estão bastante avançados nesse tema; alguns países europeus, como Alemanha, França e Inglaterra, também. Na América Latina isso está chegando. O Brasil participa internacionalmente de várias dessas discussões e sabe o que deve ser feito.

Mas ainda não conseguiu transformar o tema em política pública. Como país emergente, deveria considerar seriamente essa questão, para poder emergir a partir de bases realmente sustentáveis

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