
O Estreito de Ormuz voltou a registrar intensa circulação de navios poucas horas depois de entrar em vigor o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, num sinal imediato de alívio parcial em uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.
Sites de monitoramento do transporte marítimo mostravam dezenas de embarcações cruzando a passagem na manhã desta quarta-feira (8), após o acordo que suspendeu por duas semanas os ataques ao território iraniano e garantiu, em contrapartida, a reabertura do canal.
Embora tenha aceitado a trégua, o Irã avisou que permanece em alerta máximo durante todo o período do cessar-fogo. Segundo a agência Tasnim, associada à Guarda Revolucionária, as forças iranianas estão “com as mãos no gatilho” e prontas para reagir com mais força caso haja qualquer nova ofensiva dos Estados Unidos ou de Israel.
De acordo com informações do g1, a retórica indica que, apesar da trégua temporária, Teerã trata o acordo como uma pausa tática, e não como encerramento definitivo da guerra.
A próxima etapa da crise será diplomática. Delegações dos dois países devem se reunir na sexta-feira (10), em Islamabad, capital do Paquistão, para tentar construir um acordo permanente. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que atua como mediador das negociações.
“Tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato. (…) Acolho calorosamente esse gesto sensato e expresso minha mais profunda gratidão à liderança de ambos os países, convidando suas delegações a Islamabad na sexta-feira, 10 de abril de 2026, para dar continuidade às negociações rumo a um acordo definitivo que resolva todas as disputas”, disse Sharif em comunicado.

Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian já confirmou a participação do país nas tratativas. Segundo agências estatais, a delegação deve ser liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Os Estados Unidos ainda não oficializaram os nomes de seus representantes, mas autoridades como o vice-presidente J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner já haviam participado de conversas anteriores e podem integrar a nova rodada. Vance afirmou nesta quarta-feira que Trump está “impaciente” por avanços e disse acreditar num acordo definitivo caso Teerã negocie “em boa fé”.
Trump, por sua vez, sustenta que os objetivos militares dos Estados Unidos no Irã já foram alcançados e que a paz está em fase adiantada de negociação. “Um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído”, disse.
Já o chanceler iraniano Abbas Araghchi confirmou que Teerã suspenderá ações defensivas se os ataques cessarem e afirmou: “Por um período de duas semanas, será possível a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e com a devida consideração às limitações técnicas”.
Mesmo com o alívio momentâneo, a trégua não apagou os riscos. Antes do acordo, bombardeios atingiram a ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% do petróleo produzido no Irã, enquanto Israel realizou ataques a pontes, ferrovias, aeroportos e edifícios em território iraniano.