“Estressante e devagar”: os VÍDEOS da amiga do jovem que se perdeu em montanha do PR

Atualizado em 7 de janeiro de 2026 às 20:34
Thayane Smith e Roberto Farias Tomaz em selfie
Thayane Smith e Roberto Farias Tomaz em selfie – Reprodução/Redes Sociais

A amazonense Thayane Smith, de 19 anos, publicou uma série de vídeos registrando a trilha feita com Roberto Farias Tomaz, também de 19 anos, no Pico Paraná, ponto mais alto da região Sul do Brasil.

Os vídeos foram gravados durante a virada do ano e mostram momentos do percurso, montagem de barraca e a presença de outros trilheiros no local. Roberto desapareceu durante a descida e foi encontrado dias depois em uma chácara, após permanecer cinco dias na mata.

Nas gravações, Thayane comenta as dificuldades do trajeto e relata que a barraca foi um “sacrifício para montar”. Em outro momento, ela faz críticas a Roberto. “Essa pessoa aqui [Roberto] era a única companhia que tinha pra vir comigo nessa virada de ano. Eu falei pra ele: eu tenho pena da mulher dele. Ele é estressante, ele é devagar, ele é lento”, afirmou.

Ela também registra o grupo chegando ao cume e gritando “feliz ano novo”, informando que as imagens foram feitas em 1º de janeiro de 2026.

A dupla iniciou a trilha em 31 de dezembro. No dia 1º, durante a descida, Roberto acabou se separando da amiga e se perdeu. Ele contou que Thayane seguiu em ritmo mais acelerado com um grupo de montanhistas que encontraram pelo caminho, enquanto ele permaneceu atrás.

“Eles foram na frente e eu fiquei um pouco mais atrás. Fui andando na minha velocidade, saí um pouco do caminho”, relatou. Em uma bifurcação, escolheu seguir por uma trilha sinalizada com fitas feitas de garrafas PET, escorregou em uma ladeira íngreme e não conseguiu retornar.

Roberto afirmou que se viu sozinho na mata e passou a procurar abrigo para se proteger do frio e da chuva constantes. Segundo ele, tentou evitar a hipotermia controlando a respiração e utilizando técnicas básicas de primeiros socorros que aprendeu na área da saúde.

“Teve uma hora em que caí com o peito em uma pedra e fiquei cerca de 40 segundos sem respirar”, disse. Ele também relatou que foi arrastado pela correnteza de um rio por mais de um quilômetro.

Sem alimentos disponíveis, contou que consumiu apenas uma ameixa e um pedaço de panetone que havia levado. Depois disso, permaneceu em jejum com receio de ingerir frutos desconhecidos. Para não desidratar, bebeu pequenas quantidades de água de cachoeiras.

“Eu não sabia a condição da água, então tomava de pouquinho em pouquinho”, afirmou. Para se aquecer, disse que cobriu o corpo com pedaços de galhos e folhas e que, em um momento extremo, urinou sobre o próprio corpo, mas a estratégia não funcionou.

Durante os dias em que ficou perdido, ele subia em pedras mais altas para procurar trilhas, seguiu o curso de rios para tentar se orientar e afirmou ter visto um helicóptero, mas não conseguiu ser localizado. O barulho de quedas d’água e da mata dificultou a comunicação.

Ele relatou ainda a presença constante de insetos e animais, como mosquitos, aranhas e cobras mortas pelo caminho. O jovem perdeu uma bota e os óculos, mas continuou caminhando com uma lanterna e um kit básico de primeiros socorros.

Na manhã de segunda-feira (5), após caminhar cerca de 20 quilômetros, Roberto encontrou uma pequena chácara e conseguiu pedir ajuda. Com acesso a um celular, avisou a família. Ele foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros e levado para um hospital em Antonina, onde passou por avaliação médica. Depois recebeu alta e se recupera em casa.

“Não tive nenhum contato com a parte externa. Estou sem celular, sem comunicação nenhuma. Tudo o que sei é por meio da minha irmã”, disse.

Durante o período de buscas, Thayane afirmou que seguiu o grupo de montanhistas por conta de seu “estilo de vida” e reconheceu que errou ao deixar o companheiro de trilha para trás. Em suas palavras: “Aprendi essa lição. Eu já conhecia essa regra entre montanhistas e trilheiros, mas desrespeitei. Isso nunca mais vai acontecer. Dou a minha palavra”.

Ela também pediu desculpas à família do jovem: “Eu pequei, eu errei ao deixá-lo para trás. Peço muitas desculpas por todo o transtorno causado à família e a todos que se sensibilizaram”.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.