Estudo do MIT sobre a gripe espanhola mostra que quarentena fez a economia melhorar no médio prazo. Por Charles Nisz

O Brasil em quarentena contra a pandemia

Com a paralisação das atividades por conta da quarentena para evitar a disseminação do vírus do Covid-19, causador do coronavírus, há uma discussão sobre como salvar vidas durante a pandemia de gripe sem parar a economia.

Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, e alguns empresários, como Roberto Justus, Luciano Hang, Junior Durski (dono da rede de restaurantes Madero) e Alexandre Guerra, da rede de alimentação Giraffas, defendem a postura genocida da volta às atividades econômicas em seu padrão usual com o mote “O Brasil não pode parar”.

No entanto, um estudo divulgado ontem por economistas do MIT, nem de longe comunistas, revela um dado demolidor. Durante a pandemia de gripe espanhola, 102 anos atrás, muitas cidades ficaram incertas se deveriam seguir a quarentena ou retomar as atividades econômicas não essenciais.

O artigo “Pandemias deprimem a economia, intervenções de saúde não – uma análise da pandemia de 1918”, escrito por Sérgio Correia, Stephen Luck e Emil Verner, discute o impacto da pandemia europeia na economia.

De acordo com os pesquisadores do MIT, “as áreas mais afetadas numa crise como essa já vinham em dificuldades antes da pandemia. O segundo achado é que as intervenções não farmacêuticas (quarentena) não têm efeito adverso nos resultados econômicos locais. Pelo contrário, as cidades que intervieram mais cedo e mais agressivamente experimentam um aumento relativo da atividade econômica real após a pandemia”.

Ainda de acordo com o estudo, uma maior mortalidade durante a gripe de 1918 está associada a um menor crescimento econômico.

As cidades que implementaram INFs por mais tempo tenderam a ter baixa mortalidade e alto crescimento, enquanto as cidades com INFs mais curtos tiveram comportamento oposto. As cidades com INFs mais longos crescem mais rápido no médio prazo.

Cidades com quarentena maior (pontos verdes) tiveram recuperação mais rápida após a pandemia

Ex conselheiro econômico do Planalto no Governo Temer e pesquisador da Universidade de San Diego, o economista Carlos Góes também se opõe à ideia de que exista uma dicotomia entre salvar vidas e preservar a economia.

Estudo feito pelo governo brasileiro em 2018 estimou o custo de cada vida produtiva perdida em no mínimo R$ 630 mil. Num cenário de contaminação de 120 milhões de brasileiros e de 1% de mortes (1,2 milhões), aconteceria uma perda produtiva da ordem de R$ 800 bilhões.

“Seguir as recomendações dos epidemiologistas e fazer um esforço de desligar o motor da economia no curto prazo, contém as perdas humanas e econômicas de longo prazo. Nesse tempo, políticas econômicas devem suavizar o consumo e preservar capacidade produtiva”, afirma Goes.

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