🚨🇺🇸 BREAKING — Donald Trump:
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— ★★★ Pamphlets ★★★ (@PamphletsY) January 13, 2026
Uma análise do European Council on Foreign Relations (ECFR) — em português, Conselho Europeu de Relações Exteriores, um centro de estudos independente que estuda política internacional e relações entre países — mostra que as políticas externas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão tendo efeitos que muitos governos e cidadãos internacionais não previam: em vez de reforçar a influência americana, elas parecem estar ajudando a República Popular da China a ganhar mais espaço e poder no cenário global.
Pesquisa global com quase 26 mil pessoas
O relatório baseia-se em uma pesquisa global feita em novembro de 2025 com quase 26 000 pessoas em 21 países, em parceria com o projeto Europe in a Changing World da Universidade de Oxford, que estuda as mudanças nas percepções globais. O levantamento aponta que, em grande parte do mundo — incluindo países da África, América Latina, Ásia e Europa — a maioria das pessoas espera que a influência internacional da China cresça ainda mais na próxima década.
Em muitos desses países, a China já é vista como parceira ou aliada em áreas cruciais como tecnologia, energia renovável e veículos elétricos, e essas percepções parecem estar reforçadas após os primeiros meses do retorno de Trump à Casa Branca.
“America First” e a percepção global
Trump não chegou à presidência com o objetivo explícito de fortalecer a China, mas sua abordagem “America First” (Estados Unidos em primeiro lugar) — que prioriza interesses nacionais norte-americanos acima de alianças tradicionais e cooperação multilaterais — tem sido interpretada globalmente como um enfraquecimento da liderança americana e das instituições que sustentam a ordem internacional liberal. Isso, na visão de muitos entrevistados no estudo, teria aberto espaço para que outros países — especialmente a China — aumentassem sua influência e construíssem vínculos mais fortes com nações fora do eixo tradicional ocidental.
O mundo pós‑Ocidente e o lugar da Europa
O relatório também destaca que muitos cidadãos europeus já perceberam que vivem em um mundo “pós‑Ocidental”, onde os Estados Unidos não lideram mais automaticamente a ordem global e onde a China emergiu como uma potência central. Apesar disso, a pesquisa mostra que os europeus são um dos grupos mais pessimistas sobre o futuro — muitos não acreditam que a União Europeia (UE) seja uma potência capaz de competir em pé de igualdade com os Estados Unidos ou com a China e grande parte teme conflitos ou instabilidade internacional.
Ao mesmo tempo, a pesquisa revela mudanças nas percepções sobre alianças tradicionais. Em países como a Ucrânia, por exemplo, a confiança na UE como aliado está crescendo mais rapidamente do que a fé nos Estados Unidos, enquanto em países como a Rússia a União Europeia passou a ser vista como um adversário em vez da América.
Um mundo multipolar
Segundo os autores do relatório — incluindo os especialistas internacionais Timothy Garton Ash, Ivan Krastev e Mark Leonard — os dados sugerem que grande parte do público global já imagina um mundo multipolar, ou seja, um sistema internacional no qual várias grandes potências coexistem, em vez de um mundo dominado por um único líder hegemônico. Nesse novo cenário, tanto os Estados Unidos quanto a China são vistos como potências importantes, mas nem sempre superiores — e muitos países sentem que podem manter boas relações com ambos ao mesmo tempo.
Essa percepção contrasta com a narrativa de uma “nova guerra fria” entre democracias e autocracias, na qual cidadãos ao redor do mundo parecem menos inclinados a escolher um lado e mais abertos a uma abordagem pragmática de múltiplas parcerias.
O desafio europeu
Para a Europa, isso representa um momento de definição: se quiser manter relevância global, precisa encontrar formas de afirmar seu próprio papel no sistema internacional, em vez de depender exclusivamente da aliança com os Estados Unidos ou ficar à sombra de potências como a China. Muitos europeus já percebem que essa nova realidade exige não apenas adaptações econômicas e estratégicas, mas também uma leitura honesta sobre as mudanças profundas no equilíbrio de poder mundial.
Em suma, a análise do ECFR indica que, na percepção global, as políticas externas dos EUA sob Trump podem estar acelerando uma transição para um mundo menos centrado no Ocidente tradicional, com a China emergindo como um polo de influência cada vez mais forte — e com a Europa desafiada a se posicionar de maneira autônoma nesse novo contexto internacional.
