EUA declaram emergência após incêndio em laboratório de complexo nuclear

Atualizado em 28 de outubro de 2026 às 23:11
Complexo do Rio Savannah nuclear
Imagem aérea do Complexo Nuclear de Savannah River, na Carolina do Sul. Foto: Divulgação/Administração Nacional de Segurança Nuclear

Um incêndio no Savannah River National Laboratory, na Carolina do Sul, provocou uma resposta de emergência e restrições ao tráfego aéreo, ferroviário e fluvial nas proximidades do complexo nuclear americano na quarta-feira (28). O fogo foi apagado, e a administração informou que não havia relato de contaminação fora da instalação afetada. Seis leituras posteriores de dois monitores regionais da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) ficaram dentro das faixas observadas na semana anterior.

O laboratório fica no Savannah River Site (SRS). A emergência foi declarada às 18h39 no horário de Brasília. Em comunicado, a administração confirmou a extinção do incêndio e afirmou: “Não foi relatada contaminação fora da instalação afetada”.

As restrições foram apresentadas pelo SRS como medidas de precaução. As entradas do complexo foram fechadas para veículos que chegavam, enquanto as saídas permaneceram abertas. Funcionários das áreas afetadas que não participavam da resposta à emergência ou das operações de desligamento foram orientados a permanecer abrigados. A administração informou ter notificado autoridades estaduais e locais.

O incêndio atingiu uma sala do laboratório. A descrição da ocorrência mencionou uma “liberação radiológica não filtrada ao nível do solo”, expressão que se refere à liberação de material radioativo sem passagem por um sistema de filtragem. A administração informou que não houve relato de contaminação fora da instalação afetada.

A rede de monitoramento RadNet, mantida pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), permite acompanhar os níveis de radiação gama em diferentes localidades. Em Augusta, na Geórgia, e Columbia, na Carolina do Sul, as medições dos sete dias anteriores à emergência variaram de 33 a 53 nanosieverts por hora e de 53 a 63 nanosieverts por hora, respectivamente.

Após a declaração da emergência, foram disponibilizadas seis novas leituras dessas duas estações. Todas permaneceram dentro das faixas registradas na semana anterior, sem aumento acima dos valores máximos observados em cada localidade.

O nanosievert por hora (nSv/h) é uma unidade utilizada para medir a taxa de exposição à radiação. Os resultados permitem acompanhar eventuais alterações nos níveis de radiação gama nos pontos monitorados, mas não determinam a quantidade de material radioativo que possa ter sido liberada no laboratório.

EPA / RADNET · SAVANNAH RIVER · 28.OUT.2026

Radiação após o incêndio em Savannah River

Comparação em dois monitores da EPA · Valores em nSv/h

ESTAÇÃO FAIXA NOS SETE
DIAS ANTERIORES
TRÊS LEITURAS APÓS
O INÍCIO DA EMERGÊNCIA
Augusta
Geórgia
33–53

50



51



49

Columbia
Carolina do Sul
53–63

59



57



58

Fonte: EPA/RadNet · Taxa de dose equivalente de radiação gama, em nanosieverts por hora.

Janela anterior: 21/10, 18h39, a 28/10, 18h39 (sete dias). Dados com aprovação na base.

Horários de Brasília · Leituras posteriores de 28/10/2026 · Emergência declarada às 18h39.

O alcance dessas medições é limitado às estações. Elas não cobrem todos os pontos do complexo e de seu entorno nem permitem excluir a presença de qualquer substância radioativa. A EPA informa que os resultados passam por controles de qualidade antes da publicação e podem apresentar atrasos ou lacunas técnicas. A agência também explica que condições meteorológicas e materiais naturalmente radioativos influenciam a radiação de fundo.

O Savannah River Site pertence ao Departamento de Energia dos Estados Unidos e ocupa cerca de 803 quilômetros quadrados. Criado nos anos 1950 para produzir plutônio e trítio destinados a armas nucleares, o complexo passou a concentrar atividades de limpeza ambiental, manejo de materiais e resíduos nucleares e pesquisa. Também mantém operações ligadas ao trítio utilizado no programa de defesa americano.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!