EUA descartam apoiar Flávio Bolsonaro como ‘líder do Brasil’

Atualizado em 31 de outubro de 2026 às 15:54

O governo de Donald Trump não pretende apoiar a tentativa do senador Flávio Bolsonaro (PL) de se apresentar como líder do Brasil, segundo fontes ouvidas pela Reuters. A posição dos Estados Unidos contraria a iniciativa do bolsonarista, que viajou ao país após a eleição vencida por Lula.

As fontes afirmaram à agência que a Casa Branca reluta em abrir uma nova crise nas relações com o Brasil. A avaliação prevalece mesmo depois de jornais americanos noticiarem que o governo ajudou Flávio a entrar nos Estados Unidos.

Depois do resultado eleitoral, o senador publicou uma carta em que se chamou de “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Mais tarde, ele abandonou essa formulação e passou a se autoproclamar “líder do Brasil”.

Flávio desembarcou em Miami e planeja ir a Washington na próxima semana para buscar interlocução direta com integrantes do governo americano. A Reuters ressalvou que Trump pode mudar de posição, mas indicou que não há intenção de endossar o discurso do parlamentar neste momento.

Flávio Bolsonaro desembarca no aeroporto executivo de Opa-Locka, em Miami
Flávio Bolsonaro no aeroporto executivo de Opa-Locka, em Miami, na Flórida. Foto: Reprodução

Flávio cita medidas judiciais e fala em nova disputa presidencial

Em transmissão ao vivo nas redes sociais, Flávio justificou sua saída do Brasil com a alegação de que poderia sofrer novas medidas judiciais. Ele não detalhou quais providências esperava enfrentar.

Logo após a eleição, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a apreensão dos passaportes do senador. A medida ocorreu antes da viagem de Flávio aos Estados Unidos.

Ao falar sobre seus planos políticos, o senador disse que está disposto a concorrer novamente à Presidência da República. Ele vinculou essa hipótese à expectativa pessoal de que uma crise econômica possa encurtar o novo mandato de Lula.

“Qualquer coisa que aconteça, eu vou estar aqui pronto, inclusive, se for preciso, para disputar a Presidência da República de novo. (…) Eu não tô falando de 2030, não. Eu tô falando de antes disso”, afirmou Flávio, sem explicar em quais circunstâncias haveria outra eleição presidencial antes de 2030.

Rubio nega operação para tirar Flávio do Brasil

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou neste sábado (31) que o governo estadunidense tenha participado diretamente da fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. “Não facilitamos nada”, declarou em uma entrevista coletiva em Atlanta, durante os encontros de chanceleres do G20. O senador tenta organizar a oposição a Lula a partir dos Estados Unidos.

Questionado sobre a possível ajuda, Rubio afastou o governo dos preparativos para a saída do Brasil. “Pelo menos o governo dos Estados Unidos não esteve diretamente envolvido em nenhuma das movimentações realizadas”, afirmou.

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