EUA dizem que podem interromper ataques ao Irã mesmo com Estreito de Ormuz fechado

Atualizado em 31 de março de 2026 às 6:44
Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria sinalizado a assessores que está disposto a encerrar a ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã mesmo que o Estreito de Ormuz continue em grande parte fechado, segundo informações publicadas pelo jornal The Wall Street Journal nesta segunda-feira (30).

De acordo com a reportagem, a avaliação da Casa Branca é que uma operação para reabrir totalmente a rota marítima prolongaria a guerra além do prazo de quatro a seis semanas prometido pelo presidente estadunidense, o que passou a pesar na estratégia do governo.

Segundo o texto, Trump e seus conselheiros concluíram nos últimos dias que os Estados Unidos deveriam concentrar seus esforços nos objetivos considerados centrais da campanha: enfraquecer a Marinha iraniana, reduzir o estoque de mísseis do país e limitar a capacidade militar de Teerã.

A partir disso, a intenção seria diminuir as hostilidades e tentar pressionar diplomaticamente o Irã para restabelecer a circulação comercial no estreito, uma das rotas mais estratégicas do planeta para o transporte de petróleo.

O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã elevou a pressão sobre os preços internacionais do petróleo e ampliou os impactos sobre setores da economia global.

Estreito de Ormuz
Estreito de Ormuz – Reprodução

Segundo a reportagem, esse cenário também preocupa Washington por causa dos reflexos internos em um ano eleitoral para a Câmara e o Senado. Caso Teerã mantenha a restrição ao tráfego comercial, Trump deverá pressionar aliados da Europa e do Golfo a assumir a liderança de uma futura operação para reabrir a rota marítima.

A posição discutida nos bastidores contrasta com bravatas em declarações públicas do próprio Trump. Na última segunda-feira (30), o presidente ameaçou atacar a infraestrutura energética do Irã caso não haja acordo entre os dois países. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos enviaram um navio de assalto anfíbio e centenas de militares ao Oriente Médio para reforçar a operação em curso.

A imprensa estadunidense também relatou que a Casa Branca avaliou uma possível ação terrestre, incluindo planos de uma operação para apreender urânio enriquecido dentro do território iraniano.

Em entrevista coletiva, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reforçou que a reabertura total do Estreito de Ormuz não está entre os “objetivos centrais” definidos por Trump para o fim da operação. “A reabertura total do estreito é algo que o governo está tentando alcançar, mas os objetivos centrais da operação foram claramente definidos para o povo estadunidense pelo comandante em chefe”, afirmou.

Ainda assim, o secretário de Estado Marco Rubio disse que a rota será reaberta “de um jeito ou de outro” após o encerramento da campanha militar. “Ela será reaberta porque o Irã concordará em respeitar o direito internacional e não bloquear a hidrovia comercial, ou uma coalizão de nações do mundo e da região, com participação dos Estados Unidos, garantirá que ela fique aberta”, declarou.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.