
O cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã entrou em sua fase mais delicada após o anúncio de que os militares estadunidenses iniciarão, nesta segunda-feira (13), um bloqueio a todo o tráfego marítimo que entra e sai dos portos e áreas costeiras iranianas.
A medida foi anunciada depois que as negociações realizadas no fim de semana em Islamabad, no Paquistão, terminaram sem acordo para encerrar a guerra, elevando o risco de ruptura da trégua e ampliando a tensão em uma das regiões mais estratégicas para o fluxo global de energia.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, o bloqueio começará às 10h da manhã de segunda-feira no horário leste, 11h em Brasília, e será “aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entrassem ou saíssem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã”.
A restrição não valerá para embarcações que cruzem o Estreito de Ormuz sem destino ou origem em portos iranianos. Ainda assim, o anúncio já provocou forte impacto no mercado e no transporte marítimo.
Donald Trump endureceu ainda mais o discurso ao afirmar que forças dos Estados Unidos também vão interceptar embarcações em águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã. “Ninguém que pagar um pedágio ilegal terá passagem segura em alto mar”, escreveu.
Em seguida, acrescentou: “Qualquer iraniano que atirar contra nós, ou contra embarcações pacíficas, será EXPLODIDO PARA O INFERNO”. O republicano também disse que a Marinha começará a destruir as minas lançadas pelos iranianos no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do fornecimento global de energia.

Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que embarcações militares que se aproximarem do estreito serão tratadas como violação do cessar-fogo e enfrentarão resposta “com rigor e firmeza”.
O chanceler Abbas Araqchi afirmou que o Irã encontrou “maximalismo, mudanças constantes de objetivos e bloqueio” quando estava a um passo de um “memorando de entendimento com Islamabad”. Em seguida, resumiu: “Nenhuma lição aprendida”. “Boa vontade gera boa vontade. Inimizade gera inimizade”.
As conversas em Islamabad, realizadas entre sábado (11) e domingo (12), foram o primeiro encontro direto entre os dois países em mais de uma década e o contato de mais alto nível desde a Revolução Islâmica de 1979.
Ainda assim, permaneceram travados os principais pontos de discórdia: o enriquecimento de urânio, a abertura completa do Estreito de Ormuz e o apoio iraniano a grupos aliados na região. Um funcionário dos Estados Unidos afirmou que Teerã rejeitou exigências centrais de Washington, enquanto a mídia iraniana sustentou que houve acordo em várias áreas, mas não nas questões decisivas.
O bloqueio já produz efeitos econômicos imediatos. Petroleiros passaram a evitar a hidrovia, o petróleo subiu mais de 7% e ultrapassou os US$ 100 por barril nas negociações da manhã asiática, enquanto o dólar avançou e os futuros das ações dos Estados Unidos recuaram.