
A agência reguladora do mercado de derivativos dos Estados Unidos abriu uma nova investigação sobre a Polymarket, uma das principais plataformas de mercados preditivos do país e empresa ligada a Donald Trump Jr., filho do presidente americano.
A apuração coloca sob teste a atuação da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), órgão que regula os mercados de derivativos nos EUA, diante de uma companhia com conexões políticas na Casa Branca. A Polymarket já teve restrições no mercado americano durante o governo de Joe Biden.
Duas pessoas familiarizadas com a investigação disseram, sob condição de anonimato, que a apuração começou no início deste ano e tem escopo amplo. Um porta-voz da Polymarket recusou comentar o caso, mas afirmou que a empresa está “comprometida em manter mercados precisos, justos e transparentes”.
A pressão sobre a CFTC aumentou desde que Michael S. Selig tomou posse como presidente da agência, em dezembro passado. Parlamentares republicanos e democratas têm cobrado respostas sobre o risco de esses mercados funcionarem como polos de uso de informação privilegiada e obtenção de ganhos ilícitos.
Mercados preditivos movimentam bilhões e atraem reguladores
Os mercados preditivos cresceram desde as eleições presidenciais americanas de 2024 e misturam apostas eletrônicas com especulação financeira. As plataformas operam contratos de eventos, em que investidores negociam respostas binárias sobre a chance de determinado fato ocorrer ou não.
Segundo a consultoria Eilers & Krejcik Gaming, esse mercado tem potencial para movimentar US$ 1 trilhão por ano nos Estados Unidos até o fim da década. Selig prometeu perseguir abusos nas plataformas, que hoje movimentam bilhões de dólares em apostas por mês, embora a CFTC tenha acusado até agora apenas apostadores individuais de irregularidades.

A nova apuração é a terceira investigação recente envolvendo a Polymarket. Em 2022, a CFTC aplicou multa de US$ 1,4 milhão à empresa por operar nos Estados Unidos sem licença, e o acordo proibiu a companhia de aceitar clientes americanos.
No último ano do governo Biden, a CFTC iniciou outra investigação para apurar se a Polymarket descumpria essa proibição. O Departamento de Justiça também abriu uma investigação criminal, e agentes do FBI apreenderam, em novembro de 2024, dispositivos eletrônicos de Shayne Coplan, fundador e diretor-executivo da empresa.
A agência recuou nessa investigação após a posse de Trump, no início de 2025, e a nomeação de Caroline D. Pham como presidente interina da CFTC, segundo pessoas familiarizadas com o caso. Fontes disseram que advogados da divisão de fiscalização defendiam a continuidade da apuração, mas Pham barrou novas intimações e encerrou o procedimento. Ela não respondeu a pedido de comentário.
Em julho do ano passado, a Polymarket anunciou que a CFTC e o Departamento de Justiça haviam encerrado suas investigações. A decisão ajudou a abrir caminho para que a empresa lançasse, por meio de uma subsidiária, uma plataforma nos Estados Unidos.
Em agosto, a Polymarket informou que recebeu aporte da 1789 Capital, empresa de investimentos parcialmente controlada por Donald Trump Jr., que passou a atuar como conselheiro não remunerado. Um porta-voz do filho mais velho do presidente afirmou que ele não participa das relações da Polymarket com reguladores federais.
A Polymarket informa que proíbe o uso de redes privadas virtuais, as VPNs, que ocultam a localização do usuário, mas continuam surgindo evidências de uso desses recursos por clientes da plataforma. Em comunicado divulgado na sexta-feira, a empresa afirmou que proíbe rigorosamente o uso de informações privilegiadas e que já realizou quase 100 comunicações às autoridades policiais.