EUA permitem comércio de petróleo da Rússia pela 1ª vez desde início da guerra na Ucrânia

Atualizado em 13 de março de 2026 às 9:57
Vladimir Putin, presidente da Rússia, e Donald Trump, dos EUA. Foto: reprodução

Os Estados Unidos emitiram na última quinta-feira (12) uma licença temporária que permite a venda de petróleo bruto e derivados da Rússia transportados em navios até 11 de abril, segundo informações divulgadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. A medida representa a primeira flexibilização de sanções contra Moscou desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022.

A autorização temporária ocorre em meio à forte volatilidade no mercado internacional de energia, impulsionada pela escalada militar no Oriente Médio e pelo aumento dos preços do petróleo após o Irã fechar o Estreito de Ormuz, principal rota marítima de exportação dos países árabes.

A licença permite apenas a comercialização de cargas que já estavam em trânsito e, segundo o governo estadunidense, não deve gerar ganhos relevantes para o governo russo.

De acordo com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a autorização tem caráter limitado. A medida “de curto prazo” se aplica apenas ao petróleo já embarcado e “não proporcionará benefício financeiro significativo ao governo russo”.

Desde março de 2022, empresas dos Estados Unidos estão proibidas de comprar petróleo russo, mas a restrição teve impacto limitado, já que o país era um importador pequeno da commodity. A principal pressão econômica sobre Moscou veio no fim daquele ano, quando a União Europeia passou a restringir as importações do produto, que representavam cerca de 20% do consumo do bloco.

Petroleiro visto em chamas no Golfo Pérsico. Foto: reprodução

Nos meses seguintes, novas medidas foram adotadas para limitar as receitas da Rússia com a exportação de energia, incluindo um teto internacional para o preço do barril vendido a outros mercados. Em outubro passado, o governo do presidente Donald Trump ampliou as restrições ao impor sanções a negócios com as duas maiores petroleiras russas, a estatal Rosneft e a privada Lukoil, o que reduziu as exportações da commodity.

O temor de sanções secundárias também afetou empresas de transporte e países importadores, como a Índia, que se tornou um dos principais destinos do petróleo russo após o início da guerra, atrás apenas da China.

A decisão do Tesouro ocorre um dia depois de o Departamento de Energia dos Estados Unidos anunciar a liberação de 172 milhões de barris da reserva estratégica do país, em uma tentativa de conter a disparada dos preços internacionais.

Os mercados reagiram à escalada do conflito no Oriente Médio e aos ataques contra infraestruturas petrolíferas na região do Golfo. O barril do petróleo Brent fechou acima de US$ 100 pela primeira vez desde 2022, cotado a US$ 101,75, uma alta diária de 10,6%.

Apesar da liberação histórica de 400 milhões de barris de reservas aprovada pela Agência Internacional de Energia (AIE), navios petroleiros seguem evitando o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou à CNBC que a Marinha do país ainda não pode escoltar navios na região, mas indicou que essa possibilidade é “bastante provável” até o fim do mês. Wright também disse considerar improvável que o preço global do petróleo alcance US$ 200 por barril, mesmo com a continuidade dos ataques na região.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.