EUA recuam e afirmam que fase ofensiva do conflito com Irã acabou

Atualizado em 6 de maio de 2026 às 19:08
O secretário de Estado dos EUA Marco Rubio. Foto: Divulgação

Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (5) o encerramento da Operação Fúria Épica, ofensiva militar iniciada há 66 dias contra o Irã em parceria com Israel.

O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou na Casa Branca que os objetivos da operação foram atingidos e indicou uma mudança de estratégia do governo americano, agora concentrada na proteção da navegação comercial no Estreito de Ormuz. “A Operação Fúria Épica está concluída”, declarou Rubio. “Nós alcançamos os objetivos dessa operação.”

A Operação Fúria Épica foi uma ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã entre fevereiro e maio de 2026. A ação teve como foco atingir instalações ligadas ao programa nuclear iraniano e estruturas estratégicas da capacidade militar do país. O conflito provocou milhares de mortes no Irã, ampliou a tensão no Oriente Médio e afetou diretamente o mercado global de energia.

Durante a operação, os EUA impuseram um bloqueio naval ao Irã, enquanto Teerã respondeu restringindo a circulação no Estreito de Ormuz, passagem marítima responsável por cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo.

Mesmo com o anúncio do encerramento da operação, casos de violência continuam sendo registrados na região. Uma organização britânica de monitoramento marítimo informou que um navio cargueiro foi atingido por um projétil desconhecido no estreito.

Segundo autoridades americanas, mais de 1.550 embarcações comerciais e cerca de 22 mil marinheiros ficaram presos no Golfo Pérsico devido ao fechamento parcial da rota marítima. O governo Trump passou a defender publicamente uma estratégia de desescalada após o desgaste político provocado pelo conflito.

Estreito de Ormuz. Foto: Divulgação

Integrantes da Casa Branca afirmam que a nova prioridade é restaurar a circulação de navios na região sem ampliar os confrontos militares. A pressão interna também aumentou após Trump ultrapassar o prazo previsto pela Lei dos Poderes de Guerra, que limita operações militares sem autorização do Congresso a 60 dias.

Rubio afirmou que os EUA pretendem criar uma área protegida para garantir a passagem de navios comerciais. “O objetivo aqui é bem simples: estabelecer uma zona de trânsito protegida por uma ‘bolha’ — os ativos navais e aéreos dos Estados Unidos — e então permitir que os navios que queiram transitar, transitem por ali e cheguem ao mercado, começando a restabelecer a confiança na capacidade de fazê-lo”, disse.

A nova estratégia foi apresentada após Trump anunciar o chamado Projeto Liberdade, plano voltado a auxiliar embarcações neutras presas no Golfo Pérsico a cruzar o Estreito de Ormuz sem necessidade de grandes escoltas militares.

Segundo autoridades americanas, ao menos dois navios mercantes conseguiram atravessar a região com apoio dos EUA para repelir ataques, enquanto embarcações de guerra americanas foram deslocadas para o Golfo.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, rejeitou as exigências americanas para retomada das negociações e afirmou que a política de pressão dos EUA inviabiliza qualquer acordo. “O problema é que, enquanto os EUA perseguem uma política de máxima pressão contra o nosso país, também esperam que a República Islâmica do Irã venha à mesa de negociações e, em última instância, se submeta às suas exigências unilaterais — uma equação impossível”, declarou.

Os Emirados Árabes Unidos informaram que interceptaram a maior parte dos cerca de 20 mísseis e drones disparados pelo Irã nos últimos dias. Ainda assim, autoridades americanas minimizaram os ataques e afirmaram que eles não configuram violação do cessar-fogo anunciado recentemente.

No mercado financeiro, o petróleo Brent caiu cerca de 3,6% nesta terça-feira, após ter disparado quase 6% no dia anterior. Na ONU, os Estados Unidos e aliados apoiaram uma proposta de resolução que pode abrir caminho para novas sanções ou até ações militares caso o Irã mantenha o controle rígido sobre o Estreito de Ormuz.

Teerã classificou a iniciativa americana como “Projeto Impasse” e voltou a exigir autorização formal para embarcações que desejem cruzar a passagem marítima.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.