EUA registram 675 crianças detidas além do prazo legal no Texas; 11 são brasileiras

Atualizado em 15 de fevereiro de 2026 às 8:25
Desenho de criança de dentro do centro de detenção no Texas
Desenho de crianças de dentro do centro de detenção no Texas – Arquivo Pessoal

Pelo menos 675 crianças imigrantes foram mantidas por mais de 20 dias no South Texas Family Residential Center, em Dilley, no sul do Texas, entre janeiro e outubro de 2025. Os números constam em dados do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) analisados pela Folha de S.Paulo. Entre os menores, há 11 brasileiros.

O período de detenção acima de 20 dias contraria parâmetros fixados pelo Acordo Flores, decisão judicial de 1997 que regula o tratamento de imigrantes menores de idade. No intervalo analisado, 1.859 menores passaram a maior parte da detenção na unidade de Dilley. Parte deles foi transferida de outros estados, como Massachusetts, para o Texas.

Segundo a Folha de S.Paulo, um menino brasileiro nascido em 2023 permaneceu 44 dias detido antes de ser deportado ao Brasil. Outros dez menores brasileiros ficaram em Dilley por períodos entre 21 e 34 dias. Há ainda 240 registros sem data de saída. Caso essas detenções estivessem em curso na extração dos dados, o total de menores acima do prazo chegaria a 915.

A Folha confirmou que ao menos quatro crianças estavam detidas havia oito meses. Entre os casos, está o da família egípcia de Hayam El Gamal. Mohamed Soliman, marido de Hayam, foi preso em junho de 2025, acusado de lançar um coquetel molotov contra manifestantes em Boulder, Colorado. Em 3 de junho, toda a família foi detida. Os filhos tinham entre 5 e 17 anos; a mais velha completou 18 anos em Dilley.

Criança de seis anos retrata centro de detenção em Dilley, no Texas
Criança de seis anos retrata centro de detenção em Dilley, no Texas – Arquivo Pessoal

Os egípcios chegaram aos EUA em 2022 e solicitaram asilo. O pedido concedeu autorização de permanência até setembro de 2025, conforme comunicado do governo Donald Trump. Embora possuíssem permissão de trabalho, passaram a ser classificados em situação migratória irregular após o vencimento do visto.

O advogado Eric Lee afirma que Hayam e os filhos colaboraram com autoridades americanas, incluindo entrevistas com o FBI. Ele relatou condições precárias no centro, ausência de escola estruturada e denúncias de insultos raciais, restrições a práticas religiosas e alimentação inadequada.

Na semana anterior à publicação dos dados, uma família acusou o governo americano de negar medicação a uma menina mexicana de 18 meses, que havia sido hospitalizada por problemas respiratórios.

Desenhos feitos por crianças detidas foram compartilhados com a Folha. Em alguns, aparecem figuras infantis atrás de grades e frases como “Eu tenho seis anos” e “Minha casa”. A filha mais velha de Hayam, hoje com 18 anos, enviou cartas à imprensa e a autoridades questionando a detenção da família.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.