Evacuação de navio com hantavírus começa após mortes e temor de novos casos

Atualizado em 10 de maio de 2026 às 11:03
O navio de cruzeiro MV Hondius e o hantavírus. Foto: Reprodução

Passageiros do cruzeiro polar MV Hondius começaram a ser evacuados neste domingo após um surto mortal de hantavírus a bordo. Equipes médicas usando trajes de proteção retiraram os primeiros passageiros espanhóis do navio depois de exames para detectar a infecção.

Os viajantes foram levados de ônibus até o aeroporto de Tenerife, nas Ilhas Canárias, de onde seguirão para seus países de origem. O navio chegou ao arquipélago carregando 146 pessoas depois que três passageiros morreram e outras oito adoeceram por causa do vírus.

Operação de desembraque dos passageiros do cruzeiro MV Hondius, nas Ilhas Canárias da Espanha, que foram atingido pelo hantavírus. Foto: Jorge Guerrero / AFP
RESUMO

Embora ninguém apresente sintomas neste momento, passageiros e tripulantes permaneceram isolados em suas cabines nos últimos dias para tentar conter a disseminação da doença, transmitida apenas por contato muito próximo.

O hantavírus pode provocar sintomas semelhantes aos da gripe e, em casos graves, levar à insuficiência respiratória e à morte.

Os 19 passageiros britânicos e três tripulantes do Reino Unido serão enviados para quarentena hospitalar em Merseyside. Passageiros de outros países embarcarão em voos separados para evitar contato com moradores de Tenerife, segundo o governo espanhol e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A retirada dos passageiros ocorre em etapas. Após os espanhóis, seriam enviados voos para Holanda, Reino Unido, Canadá, Turquia, França, Irlanda, Estados Unidos e Austrália. Quem ainda não conseguisse embarcar até segunda-feira poderia permanecer preso no navio devido à piora das condições climáticas no mar.

Capitão do cruzeiro MV Hovius. Foto: Reprodução/Ruhi Çenet

Autoridades internacionais tentam evitar pânico e descartam a possibilidade de uma nova pandemia nos moldes da Covid-19. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o risco de disseminação global é baixo porque o hantavírus não se espalha com a mesma facilidade do coronavírus.

Mesmo assim, a OMS coordena uma operação internacional para rastrear passageiros que deixaram o navio desde o início do surto, há mais de um mês. O período de incubação do vírus pode variar de alguns dias até oito semanas, o que aumenta a preocupação das autoridades sanitárias.

O MV Hondius ficou dias isolado próximo a Cabo Verde depois que autoridades locais impediram o desembarque por medo de colapso no sistema de saúde do país.

Especialistas agora investigam como o vírus — normalmente transmitido por ratos e camundongos — chegou ao navio e conseguiu contaminar tantas pessoas.

A primeira vítima foi um holandês de 70 anos, morto em 11 de abril. Sua esposa, de 69 anos, também adoeceu e morreu dias depois em um hospital de Joanesburgo. Em 2 de maio, um passageiro alemão morreu a bordo após testar positivo para hantavírus.

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