Evangélicos vão se dando conta de que esse governo não merece crédito. Por Ariovaldo Ramos

Evangélicos

Publicado originalmente no site Rede Brasil Atual (RBA)

POR ARIOVALDO RAMOS

Professor Milton Ribeiro, pastor presbiteriano, doutor em educação, assume o Ministério da Educação e Cultura, o MEC. Essa decisão do presidente, segundo insinuam notícias, é para agradar a bancada de parlamentares evangélicos.

O presidente Jair Bolsonaro não tem partido, mas parece, cada vez mais, ter religião. Nunca um governo teve tantos pastores no seu ministério.

De fato, parece indicar uma tentativa de frear o descontentamento crescente entre os evangélicos.

É preciso lembrar que um dos ministros indicados antes do pastor em questão, também era evangélico e não foi mantido no cargo por que mentiu em relação a seu currículo acadêmico.

Dá impressão de que o presidente, além de tudo, devia aos evangélicos que o apoiam uma “compensação” pela vergonha que passaram.

O apoio de líderes e de igrejas evangélicas ao presidente tem sido, desde o começo, um equívoco.

Pastores se prestaram ao papel de cabos eleitorais nas eleições e, depois, assumiram o papel de militantes.

Nada disso combina com a visão da Igreja como consciência, nunca como operadora, em relação ao poder.

Vergonha alheia

Claro que evangélicos que são ministros, ministras e ocupantes de secretarias, o são como cidadãos e cidadãs.

Parece haver, todavia, uma tentativa de acenar, novamente, aos evangélicos. Coisa que, nas eleições, o então candidato a presidente soube fazer bem.

O fato é que, gradativamente, o povo evangélico vai se dando conta de que esse governo não merece crédito.

Governo acusado, mundialmente, de inepto e irresponsável sanitária, ambiental, social e economicamente, para dizer o mínimo.

Mesmo que o novo ministro se saia melhor do que seus antecessores – o que não parece difícil –, para os evangélicos, contudo, a vergonha continuará: a vergonha de terem sido identificados com um governo em que cada vez mais desacreditam.

Mesmo o grupo de cerca de um terço dos evangélicos que nunca apoiou o candidato, nem a sua política, nem o neoliberalismo, acaba padecendo de vergonha alheia.

A bem da verdade, em matéria de crédito, esse governo merecia ser acompanhado por um “mentirômetro”, dada as acusações de promover fake news desde o início de tudo.

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