Ex-agente da polícia secreta de Pinochet aparece em lista de presos do ICE nos EUA

Atualizado em 28 de janeiro de 2026 às 19:24
Armando Fernández Larios, ex-agente da ditadura chilena. Foto: reprodução

O nome de Armando Fernández Larios, ex-oficial do Exército chileno e ex-agente da DINA, surgiu no portal do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) intitulado “Arrested: Worst of the Worst” (“Presos: os piores dos piores”). A página divulga detenções consideradas prioritárias pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). Ao filtrar por nacionalidade chilena, aparecem dezenas de registros — entre eles, o de Fernández Larios.

O que foi a DINA

A DINA (Dirección de Inteligencia Nacional) foi a polícia secreta da ditadura de Augusto Pinochet no Chile. Criada após o golpe militar de 1973, a agência operou como o principal braço de repressão política do regime. Está associada a prisões ilegais, torturas, execuções e desaparecimentos forçados, tanto dentro do Chile quanto no exterior. A DINA também participou da Operação Condor, articulação entre ditaduras sul-americanas para perseguir opositores além das fronteiras.

Fernández Larios integrou essas estruturas repressivas e seu nome aparece há décadas em investigações sobre violações graves de direitos humanos.

Antecedentes judiciais nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, Fernández Larios ficou conhecido por sua ligação com o atentado de 1976 em Washington, que matou o ex-chanceler chileno Orlando Letelier e a cidadã norte-americana Ronni Moffitt. O ataque, cometido com um carro-bomba, é um dos crimes internacionais mais emblemáticos atribuídos à repressão chilena.

Armando Fernández Larios detido pelo ICE. Foto: reprodução

Segundo organizações de direitos humanos, ele chegou aos EUA após firmar um acordo com promotores federais. Admitiu culpa por encobrimento no caso Letelier-Moffitt e cumpriu pena de prisão de cinco meses.

Processos e pedidos de extradição no Chile

A Justiça chilena mantém pedidos ativos para que Fernández Larios seja extraditado e responda por crimes cometidos durante a ditadura. Caso a extradição seja autorizada, ele poderá enfrentar julgamentos por delitos classificados como de extrema gravidade.

Entre os principais processos estão:

* Caso Letelier-Moffitt – homicídio qualificado de Ronni Moffitt
A Suprema Corte do Chile decidiu, em 2016, que era cabível solicitar aos Estados Unidos a extradição de Fernández Larios e de Michael Townley. A decisão os aponta como autores do homicídio qualificado de Moffitt no atentado de 1976.

* Caravana da Morte – episódio La Serena (1973)
Outro pedido de extradição envolve a chamada Caravana da Morte, operação militar que percorreu cidades chilenas semanas após o golpe, executando presos políticos. No trecho ligado a La Serena, investigam-se homicídios cometidos em outubro de 1973.

* Caso Pisagua – sequestro e homicídio de Manuel Sanhueza
Fernández Larios também foi processado no caso Pisagua, que apura crimes cometidos em um campo de prisioneiros políticos no norte do Chile. Ele é acusado de sequestro agravado e homicídio qualificado do dirigente socialista Manuel Sanhueza Mellado, detido e levado ao local em 1974.

Novo foco sobre um velho nome

A inclusão de Fernández Larios na vitrine pública do DHS recolocou seu histórico no centro das atenções. Para organizações de direitos humanos, o caso mostra como antigos agentes da repressão sul-americana ainda aparecem em processos judiciais décadas depois dos crimes atribuídos às ditaduras da região.