
Dois ex-agentes do FBI entraram na Justiça dos Estados Unidos na quinta (19) contra o diretor da agência, Kash Patel, alegando que foram demitidos após participarem de uma investigação relacionada ao presidente Donald Trump. A ação foi apresentada em um tribunal federal em Washington.
Segundo o processo, ambos foram desligados do cargo de forma imediata por terem sido designados para a operação conhecida como Arctic Frost, nome interno dado pelo FBI à investigação que apurava tentativas de reverter o resultado da eleição presidencial de 2020, vencida por Joe Biden.
Os autores afirmam que a decisão de Patel violou direitos constitucionais, pois o vínculo empregatício teria sido encerrado apenas pela participação na apuração. A ação alega que a medida configura punição indevida e afronta às garantias legais previstas na Constituição dos Estados Unidos.
O processo também cita declarações feitas por Trump na rede Truth Social, nas quais o presidente chamou os agentes envolvidos na investigação de “escória” e “lunáticos radicais de esquerda”. Segundo a petição, os comentários reforçam o argumento de perseguição política.

De acordo com o documento, Patel respondeu à publicação afirmando que o FBI havia identificado “atores corruptos” e que o vínculo deles com a agência foi encerrado no ano anterior. Os ex-agentes dizem que tinham histórico profissional considerado exemplar e nunca sofreram punições disciplinares.
A ação afirma ainda que não houve investigação interna, aviso prévio ou audiência antes das demissões. Os autores também alegam que não receberam explicações formais nem oportunidade de contestar a decisão, o que, segundo eles, fere o direito ao devido processo legal.
Além de Patel, a procuradora-geral Pam Bondi, o próprio FBI e o Departamento de Justiça foram incluídos como réus. Os ex-agentes pedem reintegração aos cargos e solicitam que o tribunal reconheça que as demissões violaram garantias constitucionais, como liberdade de expressão e direito à ampla defesa.