Ex-chefe da PM de SP é citado em inquérito sobre elo com o PCC

Atualizado em 18 de abril de 2026 às 15:39
O ex-comandante-geral da PM de São Paulo, José Augusto Coutinho que foi citado em inquérito sobre o PCC
O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-comandante-geral da PM José Augusto Coutinho. Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP

O ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel José Augusto Coutinho, foi citado em um inquérito da Corregedoria que apura a atuação de policiais militares na escolta de dirigentes da Transwolff, empresa investigada por elo com o PCC. A troca no comando da corporação foi oficializada nesta quinta-feira (16), quando Coutinho deixou o posto e a coronel Glauce Anselmo Cavalli assumiu como a primeira mulher a chefiar a PM paulista.

A citação de Coutinho aparece no depoimento do sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, preso em fevereiro por fazer segurança privada para diretores da empresa. Segundo o relato, quando comandava a Rota em 2020, Coutinho tentou convencê-lo a permanecer na unidade mesmo diante do trabalho fora da corporação. Em um dos trechos reproduzidos pela imprensa, Romano atribui ao então comandante a frase: “tem bandido fazendo bico lá”.

De acordo com a investigação, sete PMs teriam aderido de forma “consciente e voluntária” ao esquema e contribuído para a continuidade operacional de atividades empresariais usadas para lavagem de capitais. O material reunido pela Corregedoria aponta que, além da escolta a diretores da Transwolff, os policiais recebiam pagamentos com notas fiscais frias.

Transwolff foi citada em inquérito sobre o PCC
A empresa Transwolff era responsável pela gestão de 132 linhas da Zona Sul paulista. Foto: Jéssica Bernardo/Metrópoles

A Transwolff entrou no centro da apuração após a Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo em abril de 2024. Segundo o MPSP, a facção teria injetado cerca de R$ 54 milhões na empresa para viabilizar sua participação em licitações públicas. A companhia foi afastada da operação do transporte na capital, e a prefeitura decretou a caducidade dos contratos em dezembro de 2025.

Outro ponto citado nas reportagens sobre o inquérito envolve a atuação de Coutinho quando estava à frente da Rota. Segundo o Metrópoles, ele foi avisado pelo promotor Lincoln Gakyia, em 2021, sobre suspeitas de vazamento de informações sigilosas do setor de inteligência da unidade para proteger integrantes do PCC, mas não teria tomado providências.

Em nota, a defesa de Coutinho afirmou que o coronel é “idôneo”, disse não ter tido acesso aos autos e declarou que a mera citação em procedimento investigativo não implica responsabilidade. A Secretaria da Segurança Pública informou que não comenta investigações em curso conduzidas pela Corregedoria.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.