Ex-diretor do São Paulo é investigado por desvio de dinheiro após abrir 15 franquias

Atualizado em 12 de janeiro de 2026 às 7:20
Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol, e Júlio Casares, presidente do clube. Foto: reprodução

A poucos dias da votação que pode decidir o impeachment do presidente do São Paulo FC, Júlio Casares, novas informações ampliaram o alcance das investigações que cercam a atual gestão do clube. A Polícia Civil apura a atuação de Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol do time tricolor, suspeito de ter aberto 15 empresas entre 2021 e 2025, período em que exercia função administrativa no clube.

Os detalhes do inquérito vieram a público na noite do último domingo (11), em reportagem exibida pelo “Fantástico”, da TV Globo, e posteriormente publicada pelo GE. A investigação analisa se a criação dessas empresas tem relação com um possível desvio de recursos dos cofres do São Paulo. Além de Nelson Marques Ferreira, integrantes da família Casares também aparecem como alvos da apuração.

A abertura do inquérito ocorreu após o envio de uma denúncia anônima pelos Correios. O documento aponta dirigentes do São Paulo como supostos participantes de um esquema de desvio de verbas envolvendo empresas prestadoras de serviços ao clube e agências de jogadores. De acordo com a denúncia, o esquema teria favorecido a abertura de lojas em shoppings centers.

Segundo informações divulgadas na reportagem do Fantástico, a Polícia Civil identificou semelhanças entre as denúncias envolvendo o São Paulo e episódios investigados no Corinthians relacionados à empresa VaiDeBet. A investigação preliminar aponta a existência de “evidências consistentes”, consideradas dotadas de credibilidade pelos responsáveis pelo caso.

O delegado Tiago Fernando Correia, responsável pelo inquérito, explicou que o nome de Nelson Marques Ferreira surgiu a partir das informações contidas na denúncia. De acordo com ele, o documento citava um dirigente responsável pela abertura de 15 franquias a partir de 2021, ano que coincide com o início do mandato de Júlio Casares.

Logo após assumir a presidência, Casares nomeou Nelson Marques Ferreira para o cargo de diretor adjunto de futebol, função que ele ocupou até o fim de 2024. O delegado destacou ainda que o São Paulo figura como vítima das eventuais práticas ilegais investigadas.

Dados analisados junto ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam a ocorrência de movimentações financeiras entre 2021 e 2025. Segundo a apuração, foram identificados 35 saques que somam R$ 11 milhões, valor que já havia sido mencionado por Júlio Casares em manifestações públicas recentes.

Os relatórios do Coaf apontam movimentações consideradas suspeitas nas contas de Casares ao longo de 29 meses. De acordo com a investigação, “a atipicidade deixa de ser pontual e revela-se estrutural”.

A defesa do presidente do São Paulo nega irregularidades. O advogado Bruno Borragini afirmou que não há relação entre as contas pessoais de Casares e os saques provenientes do clube.

“Na iniciativa privada ele ganhava tanto em conta e também ao longo dessas funções que ele exerceu, ele recebeu boa parte em espécie. E ele guardou, quando ele assume a presidência do São Paulo, ele passa a suplementar a renda dele, como ele teve esse decréscimo, fazer esses depósitos em conta”, explicou.

Segundo Casares, que terá o processo de impeachment votado na próxima sexta-feira (16), os R$ 11 milhões movimentados entre 2021 e 2025 correspondem a “gastos cotidianos” do clube, como pagamentos em espécie de arbitragem e de prêmios aos jogadores.

A documentação completa foi encaminhada ao Conselho Deliberativo e integra a defesa apresentada pelo dirigente.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.