Ex-diretora do BRB relata em agenda ordem para salvar o Banco Master

Atualizado em 28 de janeiro de 2026 às 23:36
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Foto: reprodução

A Polícia Federal encontrou uma anotação na agenda da então diretora de Controle e Riscos do BRB (Banco de Brasília), Luana de Andrade Ribeiro, indicando que o ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, teria defendido a compra de carteiras de crédito para evitar a quebra do Banco Master. O registro é de julho de 2024 e foi apreendido no curso das investigações.

A anotação foi mencionada pela PF durante o depoimento de Paulo Henrique Costa, prestado em 30 de dezembro de 2025. No relato registrado pela ex-diretora, o então presidente do BRB teria afirmado que, sem a aquisição das carteiras do Master, o banco controlado por Daniel Vorcaro não conseguiria se sustentar.

Em depoimento, Costa disse que as operações ocorreram no contexto da substituição de ativos do Banco Master e que a estratégia visava ganhar tempo para a reorganização dessas carteiras. Segundo ele, as cessões realizadas naquele período tinham como objetivo ajustar o perfil de risco do BRB e viabilizar a troca dos ativos problemáticos.

O BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master. De acordo com a Polícia Federal, parte desses créditos era inexistente ou fraudada. No ano passado, o banco estatal informou que havia recuperado parcialmente os valores envolvidos na operação.

Entrada do Banco Master. Foto: reprodução

Ainda segundo Costa, o BRB iniciou a compra das carteiras em julho de 2024, avaliando à época que os ativos apresentavam desempenho compatível com os parâmetros adotados pelo banco. Ele afirmou que, inicialmente, não havia suspeitas quanto à documentação nem alertas formais de irregularidades.

O ex-presidente relatou que somente no fim de abril de 2025, em razão do volume elevado das carteiras, o banco decidiu ampliar os procedimentos de verificação. Foi nesse momento, segundo ele, que surgiram indícios de um padrão documental diferente do habitual.

Após essa constatação, o BRB solicitou auditoria independente e o envio da totalidade dos contratos envolvidos. Diante da demora no fornecimento da documentação, o banco informou ter adotado medidas prudenciais, como a exigência de garantias adicionais e o início do processo de substituição das carteiras.

Em 25 de maio de 2025, o BRB comunicou o Banco Central sobre a identificação de uma estrutura de originação de crédito distinta da informada inicialmente. O problema, segundo Costa, passou a ser associado à dificuldade de liquidez enfrentada pelo Banco Master.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que as carteiras de crédito negociadas com o BRB foram substituídas por outros ativos regularmente registrados, auditados e precificados conforme metodologias formais de risco, sob supervisão do Banco Central. A defesa também declarou que colabora com as autoridades e que a apuração técnica esclarecerá os fatos.