Ex-modelo brasileira pode ser o motivo do pronunciamento de Melania Trump sobre Epstein

Atualizado em 10 de abril de 2026 às 22:39
Melania e Amanda

A decisão repentina da primeira-dama Melania Trump de negar publicamente qualquer ligação com o financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein gerou uma onda de especulação sobre seus motivos, com um nome em destaque: Amanda Ungaro.

Amanda, uma ex-modelo brasileira e ex-namorada de Paolo Zampolli, aliado de Trump, pode estar por trás da rara e surpreendente declaração de Melania Trump na Casa Branca na quinta-feira. Zampolli, ex-agente de modelos, estava envolvido em uma disputa de guarda de seu filho com Amanda. Um oficial do ICE concordou em ajudar a deportá-la.

No X, Amanda ameaçou Melania: “Vou derrubar o seu sistema corrupto, mesmo que seja a última coisa que eu faça na minha vida. Vou até o fim — eu não tenho medo. Talvez você deva ter medo do que eu sei… de quem você é, e de quem é o seu marido”.

A premiada jornalista investigativa Julie K. Brown, conhecida por cobrir a trajetória de Jeffrey Epstein ao longo de décadas, levantou a hipótese no Substack.

Ela escreveu o seguinte:

Parece que a administração Trump pode ter mirado na ex-namorada de Paolo Zampolli, uma ex-modelo brasileira chamada Amanda Ungaro, deportando-a de volta ao Brasil no meio de uma batalha pela custódia de seu filho adolescente com Zampolli.

Como aponta a matéria do NYT: “Os métodos do governo federal podem ser usados para resolver uma vingança pessoal.”

Neste caso, a vingança envolveu Paolo Zampolli, um ex-agente de modelos que foi nomeado no ano passado por Trump como enviado especial para “parcerias globais”, o que lhe permite viajar pelo mundo para promover o comércio e outras parcerias com os EUA.

Há poucos dias, ele esteve na Hungria com o vice-presidente Vance, apoiando a reeleição do primeiro-ministro Viktor Orban, um esforço para apoiar publicamente o líder de direita nos dias que antecederam a eleição.

Zampolli, de 56 anos, estava na órbita de Epstein na época em que Trump conheceu Melania em 1998. Ele também era amigo de Epstein, já que os dois estavam envolvidos em um possível negócio para comprar uma agência de modelos.

E o nome de Zampolli está nos Arquivos Epstein, com Epstein mencionando em um e-mail que ele era “problemático”.

O casal Trump em Mar-a-Lago com Paolo Zampolli no Réveillon de 2016

Ainda assim, todo o drama envolvendo a batalha pela custódia de Zampolli com sua ex-namorada não conectou as peças, pelo menos não para mim, até o discurso da primeira-dama ontem.

“As mentiras que me ligam ao desprezível Jeffrey Epstein precisam acabar hoje”, disse a primeira-dama em uma rara declaração pública. Ela enfatizou que não foi vítima de Epstein e que ele não a apresentou a Trump.

Epstein havia dito a algumas pessoas que ele introduziu o casal, mas a história nunca foi substanciada, e mesmo assim, parece uma peça estranha para justificar um discurso público de seis minutos da Casa Branca.

“Por que agora?”, perguntaram os repórteres, enquanto a Primeira-Dama deixava a sala abruptamente.

Bem, talvez tenha a ver com o homem que diz ser ELE quem apresentou Trump e Melania: Zampolli, que aparentemente usou sua carta de triunfo para solicitar a um alto oficial da Agência de Imigração e Fiscalização de Aduanas (ICE) a deportação da mãe de seu filho, de acordo com a matéria do Times.

No dia anterior à declaração de Melania na Casa Branca, Ungaro recorreu às redes sociais para expressar sua raiva sobre a deportação.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.