Ex-premiê da Espanha faz crítica racista à França: “Não tem jogadores franceses”

Atualizado em 12 de julho de 2026 às 15:21
O ex-primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy. Foto: Divulgação

O ex-primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, enfrenta uma onda de críticas e acusações de racismo após afirmar que a seleção da França “não tem jogadores franceses” em uma coluna publicada no jornal espanhol El Debate.

Rajoy, que governou a Espanha entre 2011 e 2018, fez o comentário ao analisar o confronto entre Espanha e França pela semifinal da Copa do Mundo de 2026.

“Vale lembrar que a França foi duas vezes campeã mundial e vice na última Copa. Venceu todos os jogos neste Mundial, lidera o ranking da Fifa e tem um elenco de altíssimo nível. Dito isso, não tem jogadores franceses. E joga muito bem. Será um adversário formidável”, escreveu.

A declaração provocou forte reação tanto na Espanha quanto na França e foi comparada aos ataques racistas feitos recentemente pela senadora paraguaia Celeste Amarilla contra Kylian Mbappé.

O atual primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, respondeu sem citar diretamente Rajoy.

“Há quem ainda meça o pertencimento pelo sobrenome, pelo local de nascimento ou pela cor da pele. Outros o medem pelas raízes em um país e pela vontade de contribuir com ele, seja jogando futebol, cuidando dos idosos ou abrindo empresas. A Espanha pertence a quem a ama e trabalha por ela, não a quem a envergonha com declarações xenófobas”, escreveu Sánchez na rede X.

Na França, a reação foi igualmente dura. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, classificou a fala como “completamente inaceitável”.

“Isso não representa a França. Nosso país é feito da diversidade, onde todos podem encontrar seu lugar e prosperar”, declarou à emissora BFMTV.

O líder do Partido Socialista francês, Olivier Faure, ressaltou que todos os integrantes da seleção possuem cidadania francesa.

“A França não é uma nação étnica. Ela não tem cor de pele nem religião. É uma nação política unida pelos valores republicanos, para desgosto da extrema direita racista”, escreveu.

Já o secretário nacional do Partido Comunista Francês, Fabien Roussel, afirmou que Rajoy repetiu um padrão recorrente de ataques à equipe francesa.

“Eles não conseguem evitar despejar esse racismo repugnante na tentativa de atingir nossa bela seleção”, disse.

A ministra francesa para os Territórios Ultramarinos, Naïma Moutchou, também condenou as declarações.

“As mesmas obsessões e insultos racistas reaparecem toda vez que a França vence. Não são simples deslizes de linguagem, mas um ódio metódico e normalizado contra a França e o que ela representa”, afirmou.

Moutchou ainda pediu que a Federação Francesa de Futebol avalie todas as medidas legais cabíveis. A entidade já havia apresentado uma queixa ao Ministério Público de Paris contra Celeste Amarilla após as declarações racistas dirigidas a Mbappé.

Ao encerrar sua mensagem, Pedro Sánchez adotou um tom conciliador antes do duelo entre as seleções.
“França, nos vemos na semifinal. Que vença o melhor time e que o racismo seja derrotado”, declarou.

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