Ex-presidente do INSS enviou cheque de propina de R$ 250 mil ao chefe do Porto de Santos, diz PF

Atualizado em 26 de fevereiro de 2026 às 11:45
Anderson Pomini, presidente do Porto de Santos, e Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS. Foto: Divulgação

A Polícia Federal aponta que o presidente do Porto de Santos, Anderson Pomini, recebeu um cheque de R$ 250 mil que teria como destinatário final o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, segundo a coluna de Natália Portinari, no UOL. A suspeita faz parte da investigação sobre descontos indevidos aplicados a aposentados. O caso é analisado no âmbito da Operação Sem Desconto, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Advogado, Pomini foi indicado ao comando da Autoridade Portuária de Santos em 2023 por Márcio França (PSB), então ministro de Portos e Aeroportos. Ele é próximo do ministro e tem mandato até 2027. Em novembro, foi alvo de busca e apreensão. Procurado, afirmou que recebeu os valores por serviços prestados ao PSB e negou ter repassado qualquer quantia a Stefanutto.

O pagamento não consta na prestação de contas do partido em 2022, ano em que Pomini representou o PSB no STF. O então presidente da legenda, Carlos Siqueira, declarou que o trabalho foi feito de forma gratuita. “Eu devo ter dado uma procuração e seguramente não pagamos nada a ele nem autorizamos ele a receber por aquele trabalho. Seria pro bono. Se ele recebeu de alguém, ele que tem que explicar. O PSB não tomou conhecimento desse pagamento e se tomasse, não concordaria”, afirmou.

Segundo a PF, o cheque foi emitido em outubro de 2022 pela empresa To Hire Cars e teria como verdadeiro destinatário o “Italiano”, codinome atribuído a Stefanutto. A To Hire era controlada por Cícero Marcelino de Souza Santos e Ingrid Pikinskeni Morais Santos, apontados como operadores financeiros ligados à Conafer, associação investigada por descontos irregulares de aposentados.

Presidente da Conafer diz em 2022 que precisa ‘gastar mais’ para se preparar para a nova Presidência do INSS. Foto: Reprodução

A investigação indica que a Conafer recebeu R$ 708 milhões do INSS, dos quais R$ 640 milhões teriam sido desviados por meio de empresas de fachada. Em conversas interceptadas, Cícero e integrantes do grupo mencionam os R$ 250 mil destinados ao “Italiano”. As datas e valores citados nas mensagens coincidem com depósitos atribuídos a Stefanutto.

Em 14 de outubro de 2022, ao notar que o cheque foi compensado antes do combinado, Stefanutto escreveu: “Pqp. Caralho. Desculpa”. Cícero respondeu: “Fica em paz, pede pra não reapresentar (o cheque), por favor, meu irmão”. “Aviso lá. Tranquilo”, disse o ex-presidente do INSS. “TMJ. Sempre. Acontece”, completou o suspeito. A defesa de Stefanutto negou irregularidades e afirmou que ele não é o “Italiano”.

Presidente da Conafer e Cícero citam os R$ 250 mil mensais ao “Italiano” e a lista dos “notáveis”. Foto: Reprodução

De acordo com a PF, Stefanutto teria recebido ao todo R$ 4 milhões em propina, com intermediação de escritórios de advocacia, uma imobiliária e até uma pizzaria. A Conafer, a To Hire e Cícero não se manifestaram. O Porto de Santos declarou que “o assunto não tem relação com a Autoridade Portuária de Santos, gestora do Porto”. Márcio França afirmou que Pomini “já advogou e assessorou diversos serviços profissionais para o PSB” e destacou que o atual ministro da pasta é Silvio Costa Filho (Republicanos).

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.