
Aline Bárbara Mota, ex-secretária do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, negou nesta segunda-feira (2) ter comprado passagens ou repassado dinheiro a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A declaração foi dada após questionamentos do deputado Rogério Correia (PT-MG) sobre supostos pagamentos e entrega de valores.
Convocada na condição de testemunha, Aline afirmou não ter conhecimento de irregularidades relacionadas aos recursos que circulavam nas empresas ligadas ao empresário, investigado na Operação Sem Desconto. A apuração busca esclarecer supostos descontos associativos indevidos aplicados sobre benefícios previdenciários.
Durante o depoimento, o relator da comissão questionou se ela sabia que os valores recebidos poderiam ter origem em desvios de aposentados.
“Não, eu nunca soube, nunca desconfiei. Quando ele me contratou, ele se apresentou como um empresário de sucesso, então não tinha, até então, por que eu questionar de onde vinha o dinheiro. Eu era era uma secretária e não tinha por que eu investigar a vida dele”, respondeu.
#CPMIdoINSS | Questionada sobre suspeitas envolvendo repasses ao Lulinha, Aline Bárbara, ex-secretária do “Careca do INSS”, negou ter comprado passagens ou entregue dinheiro em espécie ao filho do presidente Lula, durante oitiva realizada nesta segunda-feira (2). pic.twitter.com/sRhFgWXgnh
— TV Senado (@tvsenado) March 2, 2026
Aline atuou inicialmente como secretária e depois como gerente administrativa em empresas vinculadas ao “Careca do INSS”, preso desde setembro de 2025 sob suspeita de envolvimento no esquema investigado. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o empresário teria realizado pagamentos que somam cerca de R$ 300 mil a Lulinha. O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nega qualquer irregularidade.
Na semana passada, a CPMI aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva. Após a proclamação do resultado, houve tumulto na sessão, com parlamentares governistas questionando a contagem e o formato da votação.
Antes mesmo da decisão da comissão, a Polícia Federal já havia solicitado, em janeiro de 2026, a quebra dos sigilos do filho do presidente. O pedido foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator das investigações sobre as fraudes nos descontos ilegais do INSS. Mendonça também conduz, na Corte, o caso relacionado ao Banco Master.
O surgimento de indícios envolvendo Lulinha levou seu nome ao centro das apurações. A PF e a CPMI buscam esclarecer se ele teria atuado como sócio oculto do “Careca do INSS”, hipótese que a defesa rejeita.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho classificou as citações ao filho do presidente como “fofocas e vilanias” e afirmou que há tentativa de desgastar sua família e o governo. Segundo interlocutores próximos, Lulinha recebeu “com tranquilidade” a notícia da quebra de sigilos aprovada na comissão.
Por meio de seu advogado, Guilherme Suguimori, ele já teria se colocado à disposição do Supremo Tribunal Federal para prestar esclarecimentos.
Em declaração bem-humorada, Lulinha afirmou: “Não é a primeira vez que envolvem o meu nome com o objetivo de desgastar o meu pai, o governo dele, o PT, a mim mesmo, então isso não é novidade. O que eu quero saber é: cadê a chave da minha Ferrari de ouro, número um? Número dois: cadê a chave da porteira da fazenda onde eu crio milhares de cabeças de gado? E número três: cadê os dividendos da Friboi, porque eu era sócio da Friboi até ontem”.
Ao DCM, um amigo do empresário reforçou que ele mantém serenidade diante das investigações. “Ele está tirando com certo humor, o que demonstra serenidade e tranquilidade. Falou que não tem nada a temer e está reafirmando para o pai, para o governo, para parlamentares, para amigos, que não tem relação direta ou indireta com nenhum dos fatos que envolvem o INSS, que estão sendo investigados no bojo da CPMI do INSS”, afirmou.