Ex-servidor do STJ vazou decisões a advogado amigo de Flávio Bolsonaro, diz PF

Atualizado em 19 de outubro de 2026 às 12:50
O advogado Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

A Polícia Federal apontou que Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), antecipava minutas de decisões e informações internas ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo a coluna de Natália Portinari no UOL. A suspeita integra a Operação Linceu, que apura violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou buscas contra Pradera nesta segunda (19). O STJ exonerou o então ocupante de cargo de confiança na sexta (16), após o presidente da corte, ministro Luis Felipe Salomão, abrir um procedimento interno.

Um relatório da PF cita uma imagem enviada por Pradera a Willer em 24 de outubro de 2024. A foto mostrava uma decisão da ministra Nancy Andrighi sobre a disputa pelo controle da Eldorado Celulose entre J&F e Paper Excellence, quatro dias antes da assinatura e seis dias antes da publicação oficial.

A decisão rejeitou recurso da J&F e da Eldorado, em resultado favorável à Paper Excellence. Pradera havia dito, quando procurado anteriormente, que não tinha acesso a processos em andamento e que suas permissões no tribunal eram restritas.

Tomaz foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em agosto deste ano. Ele é suspeito de lavagem de dinheiro para o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e esteve na mira da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

Humberto Pradera, ex-servidor do STJ. Foto: Reprodução

Mensagens citam pareceres e pagamentos ligados à disputa pela Eldorado

Os investigadores também identificaram o envio de um parecer do Ministério Público Federal (MPF) sobre a disputa pela Eldorado pouco antes de o documento entrar nos autos, em março de 2024. O arquivo circulou com a mensagem: “Irá logo mais para os autos”.

Embora não figurasse entre os advogados da CA Investment, empresa que representa a Paper Excellence no processo, Willer tratava diretamente do caso, segundo a PF. As mensagens analisadas associam a atuação a um pagamento de R$ 12,3 milhões para a Difusora Comunicação, empresa ligada ao advogado.

As conversas discutiam uma forma de justificar o recebimento como “campanha de mídia” e mencionavam a formalização da atuação por meio da offshore Zunway Limited. Em uma das mensagens, interlocutores falaram em pagamentos “de fora, via invoice” e afirmaram que, assim, “a blindagem fica total”.

A PF também suspeita que Willer discutiu teses de processos com o então subprocurador-geral da República Antônio Carlos Simões Martins Soares. A investigação lista sete casos sob análise; Willer negou categoricamente ter obtido acesso irregular a decisões ou pareceres sigilosos e ter interferido em manifestações do MPF.

O STJ afirmou que as medidas criminais correm sob sigilo e que não comentará o caso.

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