
O empresário Antonio Augusto Conte, primeiro sócio a apresentar Daniel Vorcaro ao mercado financeiro da Faria Lima, afirmou que o Banco Master teve origem em operações fraudulentas. Conte foi alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, e entregou o celular aos agentes. A investigação apura um esquema bilionário de fraudes, uso de fundos para ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.
Segundo Conte, o primeiro grande episódio ocorreu em 2011, quando o banqueiro e o pai, Henrique Vorcaro, buscaram investidores para um projeto de hotel de luxo em Belo Horizonte (MG), ligado à marca Golden Tulip. Ele estruturou um fundo de cerca de R$ 200 milhões, com recursos de institutos de previdência, da prefeitura da capital mineira e de investidores privados.
O projeto nunca saiu do papel e, de acordo com Conte, já revelava o padrão de atuação do grupo. “Por que nunca saiu do papel? Por que a obra parou no meio. Pois tudo o que eles faziam era para não sair. Era só rolo, rolo, rolo. Pegaram o dinheiro e compraram um Porsche Cayenne, helicóptero”, afirmou em entrevista à coluna de Mariana Barbosa no UOL.
A Operação Fundo Perdido, de 2014, mostrou que uma consultoria pagava comissões a gestores de institutos de previdência para direcionar investimentos ao fundo do hotel e a outros negócios. Conte afirma ter sido vítima direta desse esquema e diz que o episódio foi apenas o primeiro de uma série de golpes.
“Tinha 70 institutos de previdência cotistas do fundo”, relatou. Ele também descreveu o processo de aproximação social e financeira dos Vorcaro em São Paulo, afirmando que ajudou a dar credibilidade ao grupo no mercado financeiro.

O empresário afirma ainda que sofreu prejuízos em operações posteriores, como a compra do Banco Máxima, que deu origem ao Banco Master, e depois na aquisição do Banif, atual Banco Master Múltiplo. Ao longo desse período, Conte relata ameaças, rompimento familiar e perda de amizades.
“O negócio começou a crescer. Eram muitos muitos fundos e eu perdi o controle. Não conseguia enxergar o todo”, disse, ao explicar o rompimento definitivo com Vorcaro e com o próprio irmão, Vicente.
Segundo Conte, o rompimento ocorreu quando foi alertado pelo Fundo Garantidor de Créditos sobre irregularidades. “Eles me falaram: ‘cara, não dá. Isso não pode, vocês estão fazendo coisa errada’. Quando entendi, falei: ‘Tô fora'”.
Ele afirma que, para viabilizar a compra do Máxima, foram feitas operações arriscadas e pouco transparentes, inclusive investimentos imobiliários fora do perfil inicialmente aprovado, sem seu conhecimento.
A Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, resultou na prisão de Vorcaro, Augusto Lima e outros executivos e vem revelando, segundo a Polícia Federal, um esquema estruturado de fraudes financeiras.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou, em nota, que ele tem colaborado “integral e continuamente com as autoridades competentes” e que “permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado”, reiterando confiança no devido processo legal.