
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentou utilizar “códigos nucleares” durante uma reunião sobre o Irã, diz o ex-agente da CIA Larry Johnson.
As declarações de Johnson datam de 20 de abril, durante participação no programa “Judging Freedom”, podcast do YouTube apresentado por Andrew Napolitano, ex-juiz da Corte Superior de Nova Jersey.
Segundo ele, uma reunião emergencial na Casa Branca teria se tornado tensa, com o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, supostamente se recusando a viabilizar o uso dos chamados “códigos nucleares”.
Johnson afirmou que o encontro teria ocasionado um “confronto intenso”. O programa exibiu imagens do general caminhando com a cabeça baixa nas dependências da Casa Branca, que nega as alegações.
Reuniões de alto nível ocorreram em 18 de abril para discutir o fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, mas não há registros de que tenha sido considerada a autorização para uso de armas nucleares.
O senador republicano Thom Tillis afirmou que não vê credibilidade na alegação. “Eu precisaria de mais de uma fonte confirmando isso antes de considerar a questão”, declarou.
Especialistas apontaram ao site da Newsweek que o cenário descrito é improvável dentro do sistema de comando nuclear dos Estados Unidos. O chefe do Estado-Maior atua como conselheiro, e não tem poder para vetar uma ordem legal do presidente, que é o comandante-em-chefe. Uma recusa desse tipo configuraria uma crise institucional de grandes proporções.
A tensão ocorre às vésperas do fim do cessar-fogo entre EUA e Irã, previsto para 22 de abril. Trump já indicou que pode adotar uma postura mais rígida caso não haja acordo. Antes da trégua, ele chegou a afirmar que “uma civilização inteira morreria naquela noite”, o que gerou temor internacional.
Larry Johnson não ocupa atualmente cargo no governo. Ele atuou como agente da CIA e foi vice-diretor do Escritório de Contraterrorismo do Departamento de Estado entre 1989 e 1993.