Ex-vice-presidente da Colômbia diz que Delcy Rodríguez entregou Maduro aos EUA

Atualizado em 4 de janeiro de 2026 às 19:42
Delcy Rodriguez

O ex-vice-presidente da Colômbia Francisco Santos afirmou que o sequestro de Nicolás Maduro não teria sido resultado apenas de uma operação militar, mas de uma entrega articulada dentro do próprio núcleo do regime venezuelano. Em entrevista à emissora NTN24, Santos atribuiu papel central à vice-presidenta Delcy Rodríguez.

“Estou absolutamente seguro de que Delcy Rodríguez entregou Maduro. Com todas as informações que temos, começamos a somar os fatos e fica claro que foi uma operação em que ele foi entregue”, disse Santos ao comentar a ação conduzida por forças americanas na madrugada de sábado (3) em território venezuelano.

O governo dos Estados Unidos confirmou que a operação terminou com a transferência de Maduro para Nova York, onde ele deverá responder a processos relacionados ao narcotráfico. A ação ocorreu após meses de escalada de pressão internacional sobre o regime de Caracas, intensificada desde setembro do ano passado.

Na avaliação de Santos, ela tende a assumir um papel decisivo no rearranjo político imediato. “Delcy vai conduzir a transição na Venezuela com a liderança de Donald Trump. Ela tem clareza do papel que pretende desempenhar e vai tentar construir algum grau de autonomia”, declarou.

Segundo o ex-vice-presidente colombiano, o espaço de manobra de Rodríguez dependerá do grau de controle exercido pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Nesse cenário, Santos avalia que a maior dificuldade recairá sobre a líder da oposição María Corina Machado, que precisará disputar protagonismo político no novo arranjo.

Santos descreveu ainda a postura de Trump como essencialmente pragmática. De acordo com ele, o presidente americano já teria definido três linhas de ação: retirar Maduro de cena, estruturar uma transição com figuras do próprio regime e garantir interesses econômicos ligados ao setor petrolífero.

Por fim, o ex-vice-presidente alertou para os riscos de continuidade do chavismo sem uma mudança profunda. Segundo ele, caso não haja uma transição rápida, existe a possibilidade de uma “reciclagem do madurismo”, com a sobrevivência política do regime mesmo após a retirada de Maduro.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.