Exclusivo: As ligações perigosas de Bolsonaro e Witzel com a milícia do Rio de Janeiro. Por Joaquim de Carvalho

Jair Bolsonaro e Wilson Witzel duelam desde outubro do ano passado por causa da investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco.

Mas, no submundo das milícias, os dois são vistos como aliados e deixaram pistas de alianças ou, no mínimo, amizades suspeitas.

Homem que gosta de se exibir com armas, ligado a uma organização criminosa, Michel Daher postou em sua rede social uma foto com Bolsonaro.

Acima, escreveu: “Quem será o mais merdeiro kkkkkkkkk”

A foto chegou a ter 204 reações, 44 comentários e dois compartilhamentos quando ele excluiu do Facebook.

Na postagem, feita depois que Bolsonaro se tornou presidente, não há indicação do local em que a foto foi tirada.

Parece uma cozinha, com duas pessoas, aparentemente funcionários, a alguns metros.

Não havia aglomeração.

A foto pode ser uma das muitas que Bolsonaro já tirou.

“Durante a campanha e a pré-campanha, era comum eu tirar em média quinhentas fotografias por dia, porque essa (a rede social) era minha imprensa”, disse Bolsonaro no pronunciamento sobre a demissão de Sergio Moro do Ministério da Saúde.

No caso, não era foto de campanha, já que a data da postagem é 11 de fevereiro deste ano, quando a agenda presidencial informa que ele estava em Brasília e teve audiência com Sergio Moro, recebido juntamente com o então diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo.

Teve audiência também com Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo; Jorge de Oliveira, da Secretaria-Geral da Presidência; Marcos Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia; e Fernando Azevedo, ministro da Defesa.

Nesta data, Bolsonaro também deu posse ao ministro do Desenvolvimento Regional e presidiu a cerimônia de assinatura do decreto sobre o Conselho Nacional da Amazônia Legal.

O miliciano Michel Daher também esteve na posse de Bolsonaro, em 1o de janeiro do ano passado.

Não era convidado vip, estava com o público no gramado da Esplanada dos Ministérios e fez uma postagem de Bolsonaro desfilando com a esposa Michelle e o filho Carlos no Rolls Royce presidencial.

Michel escreveu: “Meu mito”, e acrescentou dois emojis, um deles com corações nos olhos, e a bandeira do Brasil.

O fã de Bolsonaro apareceu num relatório de um serviço reservado por envolvimento no assassinato de um miliciano de organização rival, no Rio de Janeiro.

Em áudio encaminhado para um policial civil preso por atuar em apoio à milícia, ele descreve como participou da execução.

A conversa de Michel é com Rafael Luz Souza, o Pulgão, policial civil preso em julho de 2018 sob acusação de ser um dos chefes da milícia que atua em Realengo, Bangu e Campo Grande.

Rafael chegou a prestar depoimento no inquérito que apura o assassinato da vereadora Marielle Franco, mas preferiu permanecer em silêncio.

No interrogatório, em dezembro de 2018, ele foi questionado se era amigo ou conhecia Adriano da Nóbrega, o Capitão Adriano, ligado à família Bolsonaro e àquela altura suspeito da morte da vereadora.

No celular que usa dentro da cadeia, no complexo Gericinó, em Bangu, Pulgão recebeu a mensagem de Michel no dia 21 de novembro de 2019, sobre a execução do miliciano rival.

“Fizemos o trabalho ontem, pô, um trabalho ontem. Aí conseguiu”, conta Michel.

“Deu certo”, acrescenta. “Pegamos bolada. Os caras pegaram ele e Xani. Xani foi preso. Eu arrumei a placa do carro dele, do Volvo que ele tá. Aí a civilzada (policiais civis) disfarçada lá fora. Quando ele foi entrar no carro, os caras largou na cara dele. Aí o Xani correu, mas os caras pegou ele. Estava palmeado”, diz Michel.

Em outros dois áudios, comenta:

“Trabalho lindo ali, pô. Eu falei para você, mano. Você tá achando que o bagulho ali tá parado. Falei para você que não tá”.

Prossegue:

“Porra, caralho, eu não dormi porque tive que fazer esse trabalho, cara. Quando aconteceu, eu te mandei mensagem. Foi 4h50, se não me engano”

Rafael, o Pulgão, responde:

“Caralho, foi mesmo: 4 e pouco. Acordei agora, falei: ‘caralho, os filhos da puta fazendo merda”.

Ele ri muito.

Michel comenta:

“Tu gosta, né? Eu falei, tu não acredita. Eu falei: eu só tava precisando de um contato. Eu não arrumei o contato, arrumei a placa do carro. E o trabalho foi feito mesmo assim.”

A troca de mensagens prossegue, com o policial civil, líder da milícia, comemorando:

“Caralho, veado. Que pica, mano. Aí, já foi de manhã já, foi a hora que tu me mandou a mensagem, né? Caralho, tu tá igual morcego. Vai dormir, veado!”.

Pulgão ri mais, satisfeito.

Rafael Luz, o Pulgão

O miliciano alvo de tiros por parte de policiais civis que atuam com a milícia era Rogério Gama Carneiro, o Xamego, considerado o braço armado da quadrilha que age na região da Carobinha, em Campo Grande, Rio de Janeiro.

No dia seguinte, a imprensa noticiou a prisão de Rogério Gama Carneiro, o Xamego. “Polícia Civil prende suspeitos de integrar milícias na Zona Oeste do Rio”, noticiou o site G1, do grupo Globo.

“De acordo com a polícia, “Xamego” tentou reagir e acabou baleado no rosto. Ele foi levado para o Hospital Rocha Faria, e o estado de saúde dele era considerado estável até as 17h30 desta quinta-feira (21)”, informou a reportagem.

Michel ainda envia outros áudios a Rafael, o Pulgão, como para confirmar o serviço, diante da informação da reportagem de que Xamego não havia morrido:

“Caralho, se eu tô te passando é porque quem fez o trabalho foi eu. Caralho, nós fez esse trabalho. Se eu tô te passando o que aconteceu, o que aconteceu — tá lá no Rocha Faria ainda — , o filho da puta com três tiros na cara, tá fodido”.

Acrescenta:

“Se ele tiver vivo, vai estar com três tiros na cara. Tá de sacanagem? E preso pra caralho. Rodou com aquela Glock dele (ri). Foi ele e o Xani, o Xani tá fodido também. Só que o Xani está preso.”

O que a imprensa não informou é que, alguns dias depois, o miliciano que levou três tiros no rosto morreu no hospital.

E não foi em consequência direta dos tiros.

Em uma interceptação telefônica, Michel é flagrado conversando com alguém que o avisa de que o miliciano rival foi morto no hospital Rocha Faria.

“Com relação ao mano, tá perdendo um dinheiro firme. Ele perdeu um dinheiro firme para o bagulho do Xamego lá, cara. Porque ele ia viver, cara. Entendeu? Os caras botou bagulho no sangue dele”, diz o interlocutor, não identificado.

Mano seria o policial Pulgão.

“Ah, tô ligado”, respondeu Michel.

“Ele ia poder viver, mas não fala essa porra para ninguém, cara”, diz o interlocutor.

Segundo a versão dos policiais publicada na imprensa, quando foi levado para o hospital, baleado, o miliciano Xamego teria oferecido dinheiro por sua liberdade.

A versão permitiu aos policiais afirmar que o miliciano seria enquadrado por corrupção ativa, além de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e constituição de milícia privada.

Um único site noticiou a morte de Xamego, o Guadalupe News, de  cobertura de bairro no Rio, mas o texto foi apagado.

Segundo a investigação desse serviço reservado, Xamego foi envenenado no hospital Rocha Faria.

Rogério Gama Carneiro, morto com a participação do miliciano que tirou foto com Bolsonaro

O envolvimento dos policiais civis do Rio de Janeiro num acerto de contas entre milicianos coloca o governador Wilson Witzel dentro dessa história digna de um filme como “Poderoso Chefão”.

Segundo a notícia do G1, publicada também em outros veículos, já que a fonte era a mesma, a Secretaria de Polícia Civil, os tiros em Xamego foram resultado de uma operação regular de segurança pública.

Mas não era, como se vê pelas mensagens trocadas entre os milicianos.

Conforme a notícia veiculada pela imprensa, a operação policial foi uma tarefa conjunta do Departamento de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

Antes mesmo da execução de Xamego, o envolvimento de titulares da Draco com as milícias já tinha sido denunciado formalmente ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

A denúncia dá conta de que os policiais atuam como sócios de um dos lados numa guerra entre milícias que ameaça romper um pacto celebrado entre eles alguns anos atrás, e que resultou na constituição de A Firma.

Trata-se de uma espécie de joint venture de milicianos, representados nela por líderes de facções da Zona Oeste, a região mais populosa do Rio de Janeiro, apontada por especialistas como decisiva nas eleições municipais e com peso relevante nas eleições estaduais.

A Firma é um desdobramento da Liga da Justiça, milícia que foi comandada por  Jerônimo Guimarães Filho, que passou dez anos preso juntamente como o irmão, Natalino.

Ex-policial civil, Jerônimo, ao lado de Jair Bolsonaro, aproximou o crime organizado da política, ele próprio se elegendo vereador em 2000, para cumprir dois mandatos — até ser preso.

Enquanto Jerônimo e Natalino colocavam a mão na massa ou sujavam as mãos de sangue, com a Liga da Justiça, representada pelo símbolo do Batman afixado em residências da Zona Oeste, sobretudo do bairro de Campo Grande, Bolsonaro exaltava as ações do esquadrões da morte e homenageava policiais que, mais tarde, se tornariam notórios milicianos, como o Capitão Adriano — morto por policiais na Bahia.

O irmão de Jerônimo, também ex-policial civil, foi deputado estadual, também preso. Os dois chegaram a ficar em penitenciária de segurança máxima.

A filha de Jerônimo, Cármem, foi presa em 2008, ao mesmo tempo em que se elegia vereadora no Rio de Janeiro. No ano passado, ela foi buscar o pai na penitenciária, quando ele foi solto após cumprir pena.

Jerônimo Guimarães, da Liga da Justiça, ao deixar a prisão após cumprir 10 anos de pena, levado pela filha

O filho de Jerônimo, Luciano, está preso no complexo de Bangu. Hoje, o clã Jerônimo está filiado ao PMB, Partido da Mulher Brasileira, legenda com a qual Bolsonaro chegou a conversar depois que deixou o PSL.

Ex-policial militar, preso em 2008 e condenado a quase 40 anos de prisão por extorsão, homicídio qualificado e associação criminosa, Luciano é citado num relatório reservado como um preso que foi retirado ilegalmente da penitenciária Bandeira Stampa em junho do ano passado .

Segundo o relatório, o delegado Fábio Salvadoretti, ajunto da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (Draco), apresentou como pretexto  um mandado para depoimento à Vara de Execuções Penais, o que nunca ocorreu.

A saída teria sido para uma reunião com milicianos da antiga Liga da Justiça, com objetivo de desencadear uma ação para recuperar territórios  perdidos com a prisão dos expoentes do clã de Guimarães, seu pai.

Esses territórios seriam controlados pelo miliciano Ecko, também condenado, mas que se encontra em liberdade.

O miliciano que levou tiros no rosto disparos por policiais civis e que depois teria sido envenenado no hospital era pistoleiro de Ecko.

Ao sair com o filho de Jerônimo para essa reunião, Salvadorretti estaria empenhado em mostrar a aliança de seu grupo na Polícia Civil com a milicianos do clã.

No relatório, não há provas de que de fato essa saída tenha ocorrido, mas, se quiser investigar, a Corregedoria da Polícia Civil tem meios à sua disposição.

É só requisitar as imagens das câmeras de segurança de junho de 2019 da Penitenciária Bandeira Stampa (Bangu 9), os registros de entrada e pedir informação à Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro para saber se houve depoimento de Luciano Jerominho naquele mês.

O relatório dá conta também de duas outras incursões do delegado Salvadoretti à penitenciária Bandeira Stampa. Uma em agosto e outra em setembro.

A de agosto foi denunciada ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro pelos presos Marcos Paulo Dias Moreno, Felipe Ferreira Carolino, Acácio Melo de Oliveira Pinho, Paulo Rodrigo Goulart de Moura, e Flávio Soares Santos Cerry.

Todos eles são milicianos e pelo menos dois foram apresentados pela Draco como integrantes do bando armado de Ecko.

Um deles, Acácio Melo de Oliveira Pinho, o Cacinho, foi para a cadeia em 7 de fevereiro do ano passado.

Felipe Ferreira Carolino, o Zulu, foi preso três meses depois, em 21 de maio, pela mesma equipe chefiada por Gabriel Ferrando e Fábio Salvadoretti.

Reportagem da Globo, transmitida pelo RJTV 1a. Edição, descreve Felipe Ferreira Carolino como uma espécie de general de uma das maiores milícias do Rio de Janeiro, a de Wellington Braga, o Ecko.

Quem deu entrevista à Globo para falar da prisão foi o delegado Fábio Salvadoretti, adjunto da delegacia e denunciado como o policial mais ostensivo entre aqueles que estão se envolvendo em uma disputa da milícia.

Fábio Salvadoretti, ao anunciar prisão de miliciano rival do clã Guimarães

Na denúncia dos presos, assinada por seus parentes, os policiais são acusados de tortura, não física, mas expondo-os à humilhação com a exigência de que ficassem nus diante dos policiais e de outros presos.

Também teriam feito revista em suas celas e subtraído pertences, como aparelho de TV. Teria sido uma demonstração de força, um recado para o chefe deles, o Ecko.

Salvadoretti teria dito ao Zulu que o matará quando sair da prisão.

Também teria ameaçado o miliciano Flávio Soares Santos Cerry. “Vou te foder, porque sei que você está com um pé na rua”, disse, segundo a denúncia ao Ministério Público.

A denúncia pede aos promotores que apurem os fatos descritos e sugere caminhos. Um deles, a requisição das imagens das câmeras de monitoramento interno e externo do penitenciária em 29 de agosto de 2019.

Não se tem notícia de que o Ministério Público tenha tomado providências, apesar da prova de que o documento foi protocolado.

Mas as imagens das câmeras foram encaminhadas à Vara de Execuções Penais. Também não há notícia de que alguma providência tenha sido tomada.

Elas mostram que Salvadoretti esteve na Penitenciária Bandeira Stampa no dia 29 de agosto, juntamente com o titular da Draco, Gabriel Ferrando, e outros policiais.

Mostram também que, exatamente como informa a denúncia, presos foram levados à presença dos policiais civis.

As fotos abaixo são de relatório em poder das autoridades do Governo do Estado do Rio de Janeiro, com cópia para a Polícia Federal.

Incursões de policiais civis à penitenciária só podem ser realizadas com autorização judicial, e não houve autorização por parte do titular da Vara de Execuções Penais, Rafael Estrella.

Aliás, o juiz teria estado no mesmo dia na penitenciária, para uma visita não agendada, como às vezes acontece, mas sem se encontrar com os policiais civis.

Depois que as imagens foram vazadas, 32 funcionários da Secretaria de Administração Penitenciária que trabalhavam em Bangu 9 foram removidos para unidades do interior do Estado.

Esta teria sido uma represália do inspetor penitenciário Márcio Rocha, que estaria atuando como eminência parda na Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap).

Rocha teria autorizado a entrada dos policiais civis à penitenciária.

O grupo de policiais civis favoráveis à antiga Liga da Justiça estaria agindo com total desenvoltura por contar com o apoio do governador Wilson Witzel.

O Estado teria até colocado à disposição da cúpula da Draco um carro blindado descaracterizado.

Uma das razões do apoio do governador seria eleitoral.

Territórios da Baixada Fluminense e da Zona Oeste do Rio de Janeiro, muito populosos, são usados para fortalecer uma estrutura de poder político e econômico.

A Firma tem conexões cada vez consistentes com grupos políticos, principalmente através do clã Guimarães, o do Jerônimo, que já se apresenta como pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro.

Mas não só. O grupo de Ecko também tem ligações políticas, só não tão evidentes quanto as que existem com policiais civis que ocupam cargo de confiança no Governo do Estado.

Em todas elas, o poder é geograficamente estabelecido e calcado na violência e no controle armado.

A conexão política não é de hoje. Só há mudança dos grupos que se apoiam.

Jerônimo, por exemplo, atribui sua prisão a uma ordem do então governador Sérgio Cabral, em 2008.

O poder econômico de A Firma está diretamente vinculado a licitações de serviços públicos e às estruturas de administração do poder público.

Por exemplo, no caso dos hospitais federais no Rio de Janeiro, os dirigentes hoje são politicamente ligados a Flávio Bolsonaro.

Mas o grupo, com suas variadas ramificações políticas, ganha dinheiro de outras formas.

No caso de registro de imóveis na região metropolitana do Rio de Janeiro, o grupo tem acesso a informações de terrenos e áreas irregulares, terras devolutas da União, além de dados de lotes e glebas particulares para efetuar invasão/tomada para posterior “legalização” e venda desses imóveis, onde também são construídos prédios irregulares.

Reportagem do The Intercept, publicada na semana passada, informa que o dinheiro das rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro financiariam prédios irregulares, com alta taxa de retorno.

Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz

Além disso, A Firma, no âmbito de sua área de atuação, cobra taxas de proteção, assim como obtém receita por meio do controle de serviços e bens urbanos, construção de imóveis, transportes e pela distribuição de água mineral, botijões de gás, cigarros contrabandeados, bebidas alcoólicas e cessão ilegal de pontos de TV por assinatura.

O Michel que aparece no início da reportagem e que tirou foto com Bolsonaro já foi dono de uma distribuidora de água na Zona Oeste.

A milícia também tem ligação com o tráfico de drogas, mas não com o Comando Vermelho ou a facção Amigo dos Amigos, considerados adversários de morte.

A distribuição de entorpecentes está presente em algumas comunidades controladas por A Firma, através de um acordo com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).

Dessa forma, o TCP atua diretamente no fornecimento/venda de drogas em áreas controlas pelos milicianos.

O modus operandi de A Firma é agressivo, sendo o controle do território exercido por meio da intimidação e violência.

Além de dominarem diversos comércios da área em que atuam, quaisquer outros comerciantes que porventura se opuserem às determinações da milícia são sumariamente executados.

Trata-se de atividade ilegal altamente lucrativa que não vem sendo combatida de forma efetiva pelo poder público há diversas gestões municipais e estaduais, além do Judiciário local.

A suspeita é que os ganhos ilícitos da milícia já financiem o poder de determinados políticos que, por sua vez, irão favorecer novas formas de rendimento aos milicianos.

Há relatos de que essa ligação da milícia com poder político conte com o apoio de igrejas evangélicas neopentecostais, o que ajuda a turbinar alianças com vistas às eleições.

A Firma tem quatro “grandes associados”: Toni Ângelo Souza Aguiar, Ricardo Teixeira Cruz (vulgo “Batman”), Wellington da Silva Braga (vulgo ”Ecko”), e o clã Guimarães, liderado por Jerônimo.

Em 2019, teria havido a iniciativa da criação de um Conselho Central de Milícias, integrada por aqueles quatro grandes e milicianos menores. Exatamente como em filmes da Máfia.

No total, seriam cerca 30 grupos milicianos atuantes no Estado do Rio de Janeiro.

O Conselho funcionaria como uma espécie de fórum deliberativo para as decisões que eventualmente afetem cada um dos quatro “grandes associados” e aos negócios dos demais.

No momento, Ecko representa A Firma no Conselho, pois é reconhecido como o “dono dos negócios e dos territórios” deste grupo miliciano. Todos recebem uma espécie de dividendo.

É essa distribuição da receita que tem gerado insatisfação entre os demais grandes associados.

A Draco de Salvadoretti estaria atuando para a retomada de áreas particularmente controladas por Ecko, com o intuito de repassá-las a outros milicianos ligados a esta estrutura da instituição policial. Ou seja, ao clã Guimarães e seus aliados.

Este é o universo de onde emergiu o atual presidente da República Federativa do Brasil, com sua defesa da milícia e ligação com Fabrício Queiroz e Capitão Adriano, entre outros.

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As informações desta reportagem fazem parte de relatório encaminhado às autoridades do Governo do Estado do Rio de Janeiro e Polícia Federal. Todas as pessoas citadas nesta reportagem podem se manifestar e terão sua versão publicada pelo site, neste mesmo espaço.

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