Exclusivo. Empresário que doou R$ 300 mil a prefeito tucano em Manaus é preso por fraude na merenda

Foi preso nesta terça-feira (30), em Manaus, o empresário Gustavo Henrique Macário Bento, em uma operação contra a prática de crimes de peculato, lavagem de dinheiro de capitais e organização criminosa, envolvendo o fornecimento de merenda escolar para o Estado do Amazonas.

Macário Bento foi o terceiro maior doador da campanha à reeleição, em 2016, do prefeito de Manaus, Artur Virgílio Neto (PSDB). Ele desembolsou R$ 300 mil para ajudar a reeleger o tucano, conforme mostram os dados oficiais do pleito, fornecidos pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Até a publicação desta reportagem, o prefeito ainda não tinha se manifestado sobre o assunto.

Dados do TSE sobre os doadores da campanha de 2016 do prefeito de Manaus, Artur Virgílio Neto (PSDB). O empresário preso nesta terça foi seu terceiro maior doador (pessoa física)

No início deste ano, o secretário de Estado da Educação (Seduc), Luiz Castro, dispensou licitação e assinou contrato com a empresa de do empresário-doador preso, no valor de R$ 32 milhões. Já logo quando teve lugar a contratação sem concorr6encia, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) determinou a imediata suspensão do contrato do Amazonas com as empresas “G.H. Macário Bento” e “Bento Martins de Souza Eirelli”. Ambas são fornecedoras de almoço e merenda escolar.

O contrato foi assinado em fevereiro deste ano. À época, a empresa era acusada de fornecer merenda estragada e adulterada, de acordo com o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM). A investigação ministerial segue em curso até hoje.

Durante esta terça-feira, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, contra Macário Bento e outro empresário, um mandado de prisão temporária contra uma funcionária de uma das empresas, 16 mandados de busca e apreensão e sete mandados de bloqueio de valores, que somam cerca de R$ 20 milhões.

Segundo as investigações, a empresa de alimentos “G. H. Macário Bento” servia como canal de desvios de recursos públicos para a Saúde do Estado, escoando-os para o grupo criminoso.

“A investigação detectou que havia um repasse, periodicamente, no valor de R$ 1,04 milhão, que era entregue em espécie. As entregas ocorreram por um período, aproximado, de dois anos. É possível inferir que foram realizadas em torno de 20 entregas deste valor”, afirmou o delegado Alexandre Teixeira, em entrevista à imprensa nesta terça.

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