“Exemplo de pirataria”: Irã promete retaliação caso os EUA fechem seus portos

Atualizado em 13 de abril de 2026 às 8:29
Navio petroleiro no Estreito de Ormuz. Foto: reprodução

A ameaça do Irã de retaliar contra portos nos golfos Pérsico e de Omã elevou ainda mais a tensão no Oriente Médio às vésperas do bloqueio naval anunciado pelos Estados Unidos. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (13), o Exército iraniano afirmou que responderá com força bélica caso a segurança de seus portos seja atingida pela operação estadunidense, marcada para começar às 11h, no horário de Brasília.

A medida coloca em risco o já frágil cessar-fogo de duas semanas e amplia o temor de uma nova escalada militar na principal rota de energia do planeta. Na nota divulgada pela emissora estatal Irib, o regime iraniano classificou a ação dos Estados Unidos como ilegal e advertiu que a insegurança poderá se espalhar por toda a região.

“A segurança no Golfo Pérsico e no Mar de Omã é ou para todos ou para NINGUÉM. Se a segurança dos portos da República Islâmica do Irã nessas águas for ameaçada, nenhum porto na região estará seguro. (…) A imposição de restrições pelos ‘EUA criminosos’ ao tráfego marítimo em águas internacionais é uma ação ilegal e um exemplo de pirataria”, afirmou o Exército iraniano.

O bloqueio foi anunciado após o fracasso das negociações realizadas no fim de semana em Islamabad, no Paquistão, que não chegaram a um acordo para encerrar a guerra.

Estreito de Ormuz visto por satélite. Foto: reprodução

Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, a operação será “aplicada imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entrassem ou saíssem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã”. A restrição, segundo Washington, não valerá para navios que cruzem o Estreito de Ormuz sem origem ou destino em portos iranianos.

Mesmo assim, o gesto foi tratado por Teerã como uma agressão direta. O país islâmico já bloqueia o trânsito no Estreito de Ormuz há mais de um mês, e o novo movimento dos Estados Unidos amplia o risco de incidentes em uma região por onde passa cerca de 20% do fornecimento global de energia. O impacto político e econômico já começou a ser sentido, com reflexos no transporte marítimo e nos mercados internacionais.

Donald Trump endureceu ainda mais o discurso ao afirmar que forças dos Estados Unidos também interceptarão embarcações em águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã. “Ninguém que pagar um pedágio ilegal terá passagem segura em alto mar”, escreveu.

Em seguida, ampliou a ameaça: “Qualquer iraniano que atirar contra nós, ou contra embarcações pacíficas, será EXPLODIDO PARA O INFERNO”. O republicano também disse que a Marinha começará a destruir as minas lançadas pelos iranianos no Estreito de Ormuz.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.