
A curadora Renata Prado afirmou que a exposição “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade”, realizada no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, foi encerrada antes da data inicialmente prevista e classificou a decisão como censura. As mostra reunia 473 obras, fotografias, vídeos e outros itens e deveria ficar em cartaz até agosto, mas foi encerrada no último domingo (31).
Segundo Renata, o encerramento ocorreu após críticas e manifestações de parlamentares de extrema-direita contra a exposição. “Ninguém [do governo ou do museu] falou comigo, não houve diálogo para pensarmos um caminho. Sofremos um ataque sistemático e não conseguimos nos defender”, afirmou.
Entre os ataques citados pela pesquisadora está um vídeo do deputado estadual bolsonarista Tenente Coimbra. Nas redes sociais, o parlamentar afirmou: “Fomos até o Museu da Língua Portuguesa verificar o absurdo que está em exposição que enaltece a narcocultura. Já entramos em contato com a secretária de cultura e em breve traremos novidades”.
DENÚNCIA!
Fomos até o museu da língua portuguesa verificar o ABSURDO que está em exposição que enaltece a NARCOCULTURA.
Já entramos em contato com a secretária de cultura e em breve traremos novidades. pic.twitter.com/XXAfppSSCv
— Tenente Coimbra (@Tenente_Coimbra) May 4, 2026
Renata disse ainda que o tema foi levado ao conselho da instituição antes da decisão pelo encerramento. O Museu da Língua Portuguesa informou que a mostra foi encerrada para abrir espaço a duas novas exposições previstas para este ano e destacou que “FUNK” permaneceu em cartaz por seis meses, período considerado dentro da média das mostras temporárias da instituição.
Em carta, a curadora afirmou que “é preciso nomear o que está acontecendo. É censura”. Segundo ela, o episódio possui um significado simbólico por envolver uma instituição dedicada à valorização da língua e das diferentes formas de expressão cultural do país.
Renata também defendeu a relevância cultural do gênero musical. “O funk também produz linguagem. Produz vocabulários, códigos e formas de comunicação que influenciam milhões de pessoas”, prosseguiu.
A pesquisadora questionou quem define quais manifestações culturais podem ocupar espaços de memória e representação. Ao concluir o texto, ela associou a defesa do gênero musical à valorização das culturas periféricas.
“Defender o funk é, também, defender a legitimidade das expressões jovens, negras e periféricas. É defender a vida de todo pobre loko que encontra nas culturas negras uma forma de existir. Seguimos em luta”, escreveu.
Veja a carta de Renatta na íntegra:
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