Exposição sobre funk em SP é censurada após ataques de bolsonaristas

Atualizado em 3 de junho de 2026 às 12:35
Obras da exposição “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade”. Foto: Divulgação

A curadora Renata Prado afirmou que a exposição “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade”, realizada no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, foi encerrada antes da data inicialmente prevista e classificou a decisão como censura. As mostra reunia 473 obras, fotografias, vídeos e outros itens e deveria ficar em cartaz até agosto, mas foi encerrada no último domingo (31).

Segundo Renata, o encerramento ocorreu após críticas e manifestações de parlamentares de extrema-direita contra a exposição. “Ninguém [do governo ou do museu] falou comigo, não houve diálogo para pensarmos um caminho. Sofremos um ataque sistemático e não conseguimos nos defender”, afirmou.

Entre os ataques citados pela pesquisadora está um vídeo do deputado estadual bolsonarista Tenente Coimbra. Nas redes sociais, o parlamentar afirmou: “Fomos até o Museu da Língua Portuguesa verificar o absurdo que está em exposição que enaltece a narcocultura. Já entramos em contato com a secretária de cultura e em breve traremos novidades”.

Renata disse ainda que o tema foi levado ao conselho da instituição antes da decisão pelo encerramento. O Museu da Língua Portuguesa informou que a mostra foi encerrada para abrir espaço a duas novas exposições previstas para este ano e destacou que “FUNK” permaneceu em cartaz por seis meses, período considerado dentro da média das mostras temporárias da instituição.

Em carta, a curadora afirmou que “é preciso nomear o que está acontecendo. É censura”. Segundo ela, o episódio possui um significado simbólico por envolver uma instituição dedicada à valorização da língua e das diferentes formas de expressão cultural do país.

Renata também defendeu a relevância cultural do gênero musical. “O funk também produz linguagem. Produz vocabulários, códigos e formas de comunicação que influenciam milhões de pessoas”, prosseguiu.

A pesquisadora questionou quem define quais manifestações culturais podem ocupar espaços de memória e representação. Ao concluir o texto, ela associou a defesa do gênero musical à valorização das culturas periféricas.

“Defender o funk é, também, defender a legitimidade das expressões jovens, negras e periféricas. É defender a vida de todo pobre loko que encontra nas culturas negras uma forma de existir. Seguimos em luta”, escreveu.

Veja a carta de Renatta na íntegra:

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.