
A expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho dos Estados Unidos marca um novo patamar nas relações com o Brasil e sinaliza algo mais grave: o início de uma interferência aberta no funcionamento das instituições brasileiras em ano de eleição presidencial.
Desta vez, essa corja conta com a lavagem sanitária da Globo, que passa a tratar picaretas como Paulo Figueiredo como fonte de informação sem avisar que se trata de um bandido de ampla ficha corrida.
Tudo em nome de eleger Flávio Bolsonaro.
Ivo não é um agente qualquer. Ele atuava como oficial de ligação da PF junto ao Immigration and Customs Enforcement, o famigerado ICE, em Miami, coordenando investigações transnacionais e operações migratórias desde agosto de 2023. Era, na prática, o principal elo institucional da polícia brasileira dentro de uma agência estratégica americana.
Foi justamente nesse posto que participou da prisão do ex-diretor da Abin, o golpista Alexandre Ramagem, detido nos EUA e solto dois dias depois sob pressão política.
O perfil no X do Escritório para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado confirmou o expurgo. “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território dos EUA. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso”, disse o órgão em nota.
Formalmente, o governo dos EUA acusa o delegado de tentar “manipular” o sistema migratório para contornar regras de extradição.
Mas o contexto revela algo mais profundo.
A prisão de Ramagem — condenado no Brasil por participação em tentativa de golpe de Estado — foi inicialmente apresentada pela Polícia Federal como resultado de cooperação internacional.
Nos bastidores, porém, autoridades americanas passaram a investigar como e por que o ICE realizou a detenção. A prisão não era de interesse do alto escalão do governo Donald Trump. O ex-deputado foi solto após pressão política de aliados bolsonaristas.
Nos EUA, extradição não é decisão policial, é decisão política. E quem está no comando dessa engrenagem é Marco Rubio, crítico das decisões judiciais brasileiras (e do ministro Alexandre de Moraes, do STF). Ramagem não é um criminoso qualquer — como ex-Abin, tem muita informação confidencial para vender.
O Departamento de Estado, chefiado por Rubio, anunciou uma “expansão significativa” de sua política de restrição de vistos para atingir “pessoas que atuem em favor de países considerados adversários” e que, segundo o governo Trump, estejam tentando “prejudicar interesses norte-americanos no Hemisfério Ocidental”.

Medidas já foram adotadas contra 26 indivíduos, diz a revista Time. A política prevê que os atingidos, assim como seus familiares, fiquem impedidos de entrar no país.
A iniciativa está alinhada à estratégia do governo de Donald Trump de ampliar a influência dos Estados Unidos nas Américas. É a chamada “Doutrina Donroe”, uma releitura da política externa formulada em 1823 por James Monroe, que defendia a predominância norte-americana no continente.
O movimento ocorre em um cenário de maior presença de outras potências na região, especialmente a China.
A expulsão compulsória de um delegado brasileiro em missão oficial é um aviso. Os EUA não apenas protegeram um condenado por tentativa de golpe no Brasil, como retaliaram diretamente um agente do Estado brasileiro que atuava dentro de um acordo de cooperação.
O caso abre um precedente grave: qualquer ação da Justiça brasileira que atinja aliados dos EUA pode ser tratada como “perseguição política” por Washington. O sistema judicial brasileiro passa a ser questionado e limitado por interesses externos.
A expulsão de Marcelo Ivo de Carvalho não encerra a crise. Ela inaugura uma nova fase. O episódio, longe de ser um incidente diplomático pontual, é um aperitivo do que vem por aí.
Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso. https://t.co/kNMWSchGcL
— Embaixada EUA Brasil (@EmbaixadaEUA) April 20, 2026