
A Força Aérea Brasileira (FAB) decidiu manter em sigilo por cinco anos os custos operacionais do voo que transportou o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Nordeste até o Rio de Janeiro para passar o réveillon em Angra dos Reis. A decisão foi tomada após um pedido formal de acesso à informação, realizado pela coluna do jornalista Lauro Jardim. A Aeronáutica classificou os dados como “reservados”, limitando o acesso público por um período de cinco anos.
O voo, que decolou de João Pessoa na manhã de 26 de dezembro e pousou no Aeroporto Santos Dumont no início da tarde, teve a bordo 11 passageiros, mas a relação nominal dos ocupantes não foi divulgada. A Câmara dos Deputados justificou o uso da aeronave oficial, afirmando que a medida foi tomada por motivos de segurança institucional, o que também corroboraria a decisão de manter as informações sigilosas.
Durante o fim de ano, Hugo Motta se hospedou em um condomínio de alto padrão no bairro do Frade, em Angra dos Reis, em uma residência alugada. O local oferece acesso a áreas naturais, como cachoeiras, com trilhas internas do próprio condomínio. Embora os custos operacionais do voo permaneçam confidenciais, a FAB informou que as diárias pagas à tripulação totalizaram R$ 1.580.
Embora os valores exatos dos custos ainda não sejam acessíveis, é possível estimar o custo total do voo com base em dados anteriores. No caso de um voo similar, que buscou a ex-primeira-dama do Peru, o site AeroIn calculou o custo em torno de R$ 87 mil, o que pode ser comparado ao custo do voo de Hugo Motta, considerando o tempo de voo e as tarifas médias.

A aeronave utilizada foi a Embraer ERJ-135LR (Legacy 600 designado VC-99C), de matrícula FAB2561, a mesma utilizada no voo que transportou a ex-primeira-dama peruana. O tempo de voo, registrado em 2 horas e 50 minutos, junto com o tempo de táxi, somou cerca de 3 horas de operação, o que permite estimar o custo total com base na tarifa de US$ 5.600 por hora de voo.
Esses cálculos indicam que o voo de Hugo Motta custou aproximadamente R$ 87 mil aos cofres públicos, podendo ultrapassar os R$ 90 mil se somados os custos das diárias da tripulação. Este valor reflete os custos operacionais do voo realizado por uma aeronave da FAB, que é utilizada para transporte de autoridades e outras operações institucionais.
A FAB, que mantém as informações sobre os gastos sob sigilo, não se manifestou sobre a necessidade de classificar os dados como “reservados”. No entanto, a decisão de restringir o acesso levanta questionamentos sobre a transparência na gestão de recursos públicos, especialmente quando se trata de deslocamento de autoridades.
A situação gerou repercussão, com críticas sobre a falta de clareza nos gastos públicos e a justificativa de segurança institucional. A sociedade e a imprensa aguardam mais detalhes sobre os custos desse voo, que levanta preocupações sobre a utilização de aeronaves oficiais para viagens pessoais de autoridades.